segunda-feira, 31 de maio de 2010

Palavras de silêncio

Há em mim um silêncio latente, quase gritante. Me abrigo nele e o mundo inteiro habita em mim.
O silêncio é como um cofre que guarda o que há para ser dito e desconheco.
Existem muitos silêncios:
O silêncio timidez;
o silêncio choque;
o silêncio resposta;
o silêncio desprezo;
o silêncio respeito;
o silêncio dúvida;
o silêncio certeza...
Eu até desabafo em silêncio, e silencio para ouvir outros desabafarem. Sei como é assustador perder o direito a fala; mas quem suportaria perder o direito de calar?
As palavras são fruto do silêncio, da reflexão. Digo as palavras valiosas.
Algumas vezes o silêncio toma proporções a ponto de sufocar alguém.
Muitas pessoas apenas condenam o silêncio. Não sabem ouvir. Também não medem o que falam ou fazem.
Quando julgam o que penso muitas vezes traem-me. Meu silêncio não é alheiamento ou descaso...
Talvez, se tentassem ouvir as palavras que calam entenderiam no meu silêncio um amor revelado em cuidado; contemplação.
Quanto mais tempo em silêncio permaneço com alguém, é porque minha admiração lhe reserva palavras dignas a serem ditas no momento oportuno.
Mas ao se precipitarem me jogam no silêncio tristeza... porque não me entendem. Fazem pouco do muito que os ofereço.
Ah se entendessem que enquanto minha boca não professa uma só palavra os meu olhos se declaram...
Mas logo calam os meus olhos que precisam conter a ânsia de falar quando recebem um silêncio de indiferença ou  medo.
Então calo fechando os olhos...
Em silêncio soluço....
Em silêncio choro...
É o silêncio tristeza que pede a palavra.



quinta-feira, 27 de maio de 2010

Preconceito (enquete)

Resultado da enquete:

 NEGROS  (11%)
HOMOSSEXUAIS  (41%)
PORTADORES DO HIV  (29%)
DEPENDENTES QUÍMICOS  (0%)
PORTADORES DE DEFICIÊNCIA (17%)

Caros leitores. Faz algum tempo descobri que todos nós temos algum preconceito... significa que temos o conceito prévio de algo que não conhecemos em profundidade. Mas quando o conceito carrega julgamentos infundados caímos no erro da maldade. Logo, ainda que todos sejamos preconceituos, nem
todos somos perversos.
Quanto as classes da enquete todos são vítimas de preconceito, uns por um grande número de pessoas, outros por um número menor, porém, mais cruel. Ao longo dos anos os negros ganharam voz e se tornaram um forte movimento social e cultural. Contudo, algumas vezes tenho a impressão  que seus próprios discursos estão cada vez mais racistas. Como se a igualdade não fosse mais a pretenção, mas sim a posição de guerra e alguns benefícios concedidos aos considerados "menos favorecidos".
Portadores de deficiências fisicas ou mentais por sua vez, enfrentam o descaso do poder público e de algumas pessoas que em algum momento perceberão que somos todos do mesmo "material" e frágeis. Estamos prontos e acabados, mas enquanto vivos nada é definitivo.
Dependentes químicos são vítimas de si mesmos, e de quem não os vêem como vítimas. Mas, ainda que sejam os agressores sem dúvida também são agredidos.
Os portadores do HIV além de diariamente precisarem fortalecer a imunidade, lutam para não desanimar diante do medo dos que acreditam que eles são uma ameaça. Também  há os infelizes que ousam questionar a doença como merecimento ou castigo.
Quanto a mim tento aprender todos os dias um pouco mais acerca do que vejo. Não pra justificar, muito menos para julgar pois é tarefa que não cabe a mim. Tudo que consegui até hoje com minhas observações foi ajudar... ajudar a mim mesma a valorizar a vida. A vida que tenho, e a vida de todos os iguais a mim; apesar das diferenças.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A FORÇA DO ACASO


Era uma vez uma ....menina perdida. Solitária, escondida. Cheia de dúvidas e cicatrizes. No semblante uma máscara que esconde a passagem de sua alma. Absorta, esquiva, a bisbilhotar no escuro em que se esconde. Cheia de sonhos, mas muito insegura! Se esconde no escuro, se esconde da vida! Foge de si mesma. Mas não desiste, insiste e procura por si mesma!Ora, como estava já escrito na sua vida (embora não o soubesse ainda), naquela manhã, em que as sombras dominavam devido à insistência das nuvens em tapar o sol, a menina foi puxada para fora de casa.
Não sabia que mão invisível a impelia a sair, em busca do mundo lá fora, mas ouvia nitidamente uma voz que chamava: _Laura. Laura._O seu nome ecoava nas ruas, na sua cabeça, mas ao olhar em volta, nada via.
_ Pela força do acaso, por aqui passei. E entrei, gostei e encantei…O mundo lá fora, pelas cortinas espreitei... Pela certa voltarei, e café tomarei. Adoro cantinhos encantados, adorei…É longe…eu sei…Mas voltarei!
Mas Laura no entanto, não desistiu. Ouvia o seu nome numa voz suave, mas cada vez mais alto, a ser chamado. E aí, reuniu todas as suas forças como num reluzente cristal. Lutou ferozmente contra aquela mão que a tentava puxar, puxar, puxar...
Solitária, a guerreira caminha ao acaso. Desviando dos obstáculos, não sente mais os calafrios do abdome, apenas caminha rumo ao chamado.
E de repente num feixe de luz vê a figura de sua mãe, com as mãos estendidas, olhar carinhoso, sem dizer uma palavra, lhe passa uma mensagem de confiaça em si mesma, pois jamais está sozinha e deve caminhar fixando um ponto no horizonte e por fim sua mãe desaparece no infinito.
Laura em silêncio se perguntava se não era um sonho... tinha medo de falar e descobrir ser tudo real. Nunca vira a mãe antes, que morreu assim que a pôs no mundo, mas intimamente sabia que era sua mãezinha.Olhando para a porta que deixara aberta Laura não sabe se deve voltar para casa ou caminhar sem rumo. Mas, feito um bichinho escorraçado pelas lembranças que havia deixado para trás, seguiu as ruas. Ainda estava atônita, sem destino... morta de fome. Andou muito. Até o anoitecer. E exausta, adormeceu enroladinha num canto qualquer, de uma praça qualquer: estava,definitivamente, perdida.
A noite fria se foi, o sol começa a aparecer por entre nuvens e com ele surge um homem bem vestido com maleta na mão, ao ver aquela moça deitada no chão, lhe cutuca dizendo:
_ Não tenhas medo. _ E pergunta: _O que uma moça tão bonita faz deitada numa praça?
Laura esfrega os olhos e tem a certeza de conhecer aquele homem. Muito simpático ele se dirige à uma padaria em frente e compra pão e leite para a menina. Faminta Laura come sem pensar em modos, enquanto o cavalheiro a observa. (Ela se da conta da fome que estava e se constrange quando percebe que ele estava observando-a).
Mas ele continua:
_ Alimenta o corpo, e deixa-me cuidar da tua alma." entregou-lhe umas asas brancas, "- Voa comigo, vou levar-te a conhecer o mundo dos sonhos. _ Deu-lhe a mão e no chão ficaram apenas as migalhas de uma vida...
Primeiro, Laura, ficou surpreendida com o facto de o homem não precisar de asas para voar. Mas lembrou-se que talvez só ela precisasse delas.Voaram por tempos infinitos, sem nada ver. Só nuvens. Um tapete infindável de nuvens, que parecia descrever um qualquer trajecto que deveria ser seguido.Chegaram, por fim, a um lugar diferente. As nuvens foram substituídas por raios de sol coloridos: o arco-íris.

Pousaram em cima do arco-íris, foi quando o homem fez a Laura a seguinte pergunta: - Você prefere continuar sua vida podendo voar, e melhor, voar sem asas, ou voltar a sua vida de antes?
Laura, cheia de felicidade, porque nunca tinha estado ao pé de um arco-iris, perguntou se podia agarrar uma cor.O homem aproximou-se, pegou em cada raio de Luz...e colocou na mão de Laura, um a um formando feixes à volta dela...e quando ia agradecer...eis que o homem desaparece...dando lugar a uma senhora com cara de anjo, que lhe disse:

_Laura, não tenhas medo...
E ela, instantaneamente soube que era sua mãe, pois não tinha esquecido sua voz suave e doce desde o seu ventre...E sua mãe continuou ...
_ Laura, não tenhas medo... Estou ao teu lado... carrega-me no seu ventre agora... tenha força, não se sinta só, preciso sentí-la novamente ao meu lado... preciso de teu amor... não me negue essa oportunidade... volte para sua casa, volte para sua fortaleza.
_Mas... mãe? Onde estou? Porque você está aqui? Senti tanto sua falta. Perdi-me durante longos anos de minha vida, sem rumo, sem prumo. Escondi meu sentimentos e aflições. Escondi-me da vida. E agora te vejo, como um sonho maravilhoso de meus mais secretos desejos.
_Laura... Você está viva, e eu sempre estive com você ainda que só agora me veja. Dói-me demais ver-te presa em dias tristes da sua infância trancada em seu quarto, possuindo asas tão lindas e já mulher, ainda que não perceba-se assim. Quero que faça do nosso sonho o despertar para uma nova vida. Uma vida cheia de cores ao lado daquele que te faz voar. Façam da nossa velha casa um lar cheio de risos e cheirinho de café. Um dia querida, se lembrará da nossa conversa e perceberá que toda dor e saudade deu lugar a uma doce lembrança...
Passaram-se alguns anos desde o dia em que Laura sem entender acordou no balcão da  padaria que ficava na praça que frenquentava todas as manhãs. Foi nesse mesmo dia que conheçeu o Gabriel, agora seu esposo.


Hoje Laura acordou feliz, ontem confirmou que tem no ventre uma menininha a quem dará o nome Íris em homenagem a sua mãe.
                                                                                                                             Ficha Técnica:
Autores: Afonso Rocha
     A Magia da Noite
Ana Carolina
D.R.
FÊNIX CRUZ
Josephine
Juci Barros
*lua*
Paulo
Psiquismo Desmistificado
Sônia Silvino
up
Vitor
Edição de imagens e texto: Juci Barros
Apoio: O compromisso de todos.
Direção: O acaso.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Proposta literária


        Queridos amigos.

         O blog COMPROMISSO COM O ACASO surgiu por acaso mas com o compromisso de tornar a net um espaço cada vez mais proveitoso, já que são tantas as possibilidades de interação. Estão aqui reunidos talentosos escritores, inspirados poetas e leitores mui pacientes com minhas palavras. Bem, foi o que concluí com minhas visitas às páginas de vocês e com a participação de todos aqui.
         Portanto, lanço aqui uma experiência inspirada na canção atual de fundo: A seta e o alvo (Paulinho Mosca) proponho a composição de um texto assinado não só por mim, mas por todos os que se elencarem nessa aventura. Leiam as regras e mãos a obra, ou no teclado!

1. A estória começa com o título e imagem logo abaixo (será minha primeira contribuição);
2. Cada um de vocês poderá escrever parte do enredo no espaço usado para comentários, usando livremente a imaginação mas concatenando com a idéia da última pessoa que escreveu;
3. Cada autor poderá fazer mais de uma participação no texto, continuado-o desde que seja um trecho por dia.
4. O texto será finalizado por mim no dia 20/05, quinta-feira após as 17hs. Assim, a partir de tal data espero que me ajudem apontando um possível final nas entrelinhas.
5. Por fim, o texto será postado devidamente organizado com a ficha técnica de todos os autores e aberto a comentários.

Conto com vocês!
Atenciosamente e ansiosamente:
Juci Barros


A força do acaso


Era uma vez ...

Mulher ideal exige homem real

Ontem mais uma vez alguém me faz a seguinte pergunta: O que seria o homem ideal para você?
Nunca soube responder a tal pergunta de modo preciso, e acabo fazendo uma negação: Não gosto de homens ideais, fico com os reais mesmo.
Agora, se me perguntar por qualidades que admiro certamente minhas amigas concordariam comigo.
Gosto de homem protetor, acho que seria a melhor definição do sortudo (porque claro que alguém assim me ganharia rs). Ao contrário das mulheres, homens realmente interessantes são os disponíveis, que oferecem braços e abraços. Atenção e interesse me cativam. Mas há de se separar atenção de grude, homem que valoriza a liberdade da mulher sem no entanto deixar de passar para ela segurança e apoio.
Sabem o lançe da pegada? Homens protetores pegam suas mulheres antes mesmo de tocá-las, eles a pegam com os olhos e as tiram do chão.

Mas vá lá, ninguém é perfeito. Se ele não me confia algo sórdido de sua vida penso logo que o pior ainda está por aconteçer e aí, não sei se quero estar por perto.Um momento! Nada de ficar listando relações fracassadas como troféis. Muitas mulheres não fazem de um cara interessante, a não ser para quem goste de escrever páginas na vida de outros e não ter as suas próprias.
Homens reais gostam de futebol ou qualquer outro esporte ao qual dedique algumas horas de sua atenção à TV, ou ainda, esqueçe datas especiais. Mas, um defeitinho aqui ou acolá até reforça o quanto suas qualidades são apreciáveis em algumas situações. Se existissem mesmo os homens que a maioria das mulheres idealizam as mulheres logo perderiam a vaidade. O homem ideal extinguiria a mulher ideal que aperfeiçoamos todos dias frente ao espelho.

domingo, 16 de maio de 2010

Mais uma vez acarinhada com um selinho lindo!

Oferecido pela Menina do blog Coisa de Menina
Esse selo tem algumas regras a seguir:


- pegue o selinho

- responda a pergunta (O que é mágico para você?)

- repasse para 10 blogs

Meus indicados são:
"Entre Aspas" http://silvinhahba.blogspot.com/
Métrica das Palavras http://metricadaspalavras.blogspot.com/
*lua* http://luaetransmutacao.blogspot.com/
Morangos Mofados http://bloggeragora.blogspot.com/
JPM Escritor http://jpmescritor.blogspot.com/
O Lado ou a Parte http://oladoouaparte.blogspot.com/
Memórias de uma simples Maria http://mariamapola.blogspot.com/
Fragmentos d' Amélie http://poupeeamelie.blogspot.com/
Limiar dos Sentidos http://limiarsentidos.blogspot.com/
"É tempo de caminhar sem medo de se perder..." http://lipeh-costa.blogspot.com/
- indique de onde pegou o selinho

- ilustre com uma imagem


Mágico é sentir, sentir com todos os sentidos. Ir além da rotina e perceber grandes acontecimentos em coisas aparentemente pequenas e efêmeras, como o desabrochar de uma flor ou o barulhinho da água.

sábado, 15 de maio de 2010

Ecos

Não. Não é tristeza, só vontade. Vontade de matar vontades para dar lugar a outras. Tenho natureza questionadora. Penumbras me fascinam, mas... como dispensar a claridade do sol que invade o quarto pela manhã? E o como poderia a beleza da luz de velas sem a escuridão?
Sou rasa porque exponho muito da minha profundidade. É tão maluco quanto humano. Quantos não reconheçem as mesmas inquietações?
Eu só quero o que há em comum nas nossas diferenças.


Quero cuidar de almas inquietas fazendo os gritos da minha ecoarem...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Não me analise. Nem me ouça. Me leia.
Hoje sou toda vontade de bater portas...
Fechar cortinas...
Ter raiva de tudo que me enfeita...
Vontade de roupas velhas e maquiagem borrada...
Desmarcar todos os compromissos...
Esvaziar o que não cabe em mim, e sei lá como ainda carrego tudo isso...
Quero o para sempre do nunca mais...
Não me analise. Me dê colo depois de algum tarja-preta...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 de maio

Lei Aurea

Não há mais nada a ser feito.
A unica escravidão ainda existente é a imposta em sua maioria pelos próprios negros. As minhas palavras são duras, mas, carregadas de tristeza.  Insistem em divisões, cotas que nos separam, pois chegamos aos mesmos lugares por caminhos diferentes. Querem dar cor a nossa consciência, que eu nem sei se tem cor...
De um modo talvez inconsciente, os brancos sentem vergonha de sua cor. Sim, eu disse os brancos, porque ser branco virou sinônimo de culpado.
                                                         

Gosto de cores. Amo pessoas. Avalio sentimentos.
E a liberdade é linda. Estampada em um sorriso que naturalmente aconteçe no apreciar de um arco-íris.



terça-feira, 11 de maio de 2010

Prefiro asas a armas. A nudez impõe mais que armaduras. Uma flor guardada na lembrança é mais nobre que medalhas na parede.
Determinei-me anjo. Quero despir-me dos preconceitos, quero subir suavemente para proteger os que me são caros, quero movimentos e gestos ternos e delicados.
Há os que acreditam que alguém assim tão pacífico seja acomodado. Não entendem de determinação de SER.
Anjos conquistam, não tomam a força.
Eu não desisti, pelo contrário, decidi; o melhor que posso ter é o que sinceramente me cedem.
Eu tenho me perdido todas as vezes que direciono meus pensamentos para o EU, porque eles sempre me levam ao NÓS.

                                                                                        Obs: A trilha sonora para o sentimento descrito é a que tocando ao fundo da página, interpretada pela Paula Fernandes:
Só penso em nós.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O maior paradoxo: SAUDADE.

Presença na ausência,

O que foi, e ficou,

É o que não mais é,

Dor provocada por algo muito bom,

Não mais viver, para reviver,

Eu e você,

Não sei se estou com você,

Mas você está sempre comigo,

Não ao meu lado,

Mas em mim,

Se me perguntarem se lembro de ti,

Responderei que não,

E é verdade,

Não precisamos nos lembrar do que não esqueçemos,


Houve um fim, mas nunca acabou,



Nova indicação ao selinho Dardos, agora por Helga dos cantinhos Planícies da Imaginação e Planícies da Memória. Sabemos como tais mimos são importantes para nosso incentivo e também interação. Estou muito feliz com a participação de todos e espero melhorar cada vez mais, fazendo valer o compromisso que tenho com o acaso e com todos que por acaso ou não aqui visitam. Beijos.
                                                                                                                                               
 Juci Barros

SONETO ANTIGO

Responder a perguntas não respondo.

Perguntas impossíveis não pergunto.

Só do que sei de mim aos outros conto:

de mim, atravessada pelo mundo.



Toda a minha experiência, o meu estudo,

sou eu mesma que, em solidão paciente,

recolho do que em mim observo e escuto

muda lição, que ninguém mais entende.



O que sou vale mais do que o meu canto.

Apenas em linguagem vou dizendo

caminhos invisíveis por onde ando.



Tudo é secreto e de remoto exemplo.

Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.

E todos somos pura flor de vento.



Cecília Meireles

domingo, 9 de maio de 2010

Os filhos das mães

A primeira coisa que somos logo ao nascermos é filhos da mãe. Eu nunca entendi o uso incorreto da expressão. Eu me orgulho muito de ser filha da mãe, da minha mãe! Acho que o responsável pela distorção não teve mãe dessas de verdade, com afagos em mãos e palavras e repreensões. Nem sei quem sou direito, mas sei com convicção que sou filha da mãe.
Quero um mundo cheio de filhos da mãe, tantas são as mães que precisam deles; mas os filhos das mães não as abraçam, e até as esquecem... ignoram o fato de serem filhos de suas mães e são só filhos.
Particularmente estou frágil, sensível, e de todas as coisas que posso ser, a que mais me consola e me realiza é ser filha da mãe... da minha mãe.

sábado, 8 de maio de 2010

Catarse

Lamento muito, com muitas lágrimas, poesias cristalinas e frágeis. O que não acontece é o grande acontecimento da minha alma. Era tão pequena minha ambição: uma saudação sincera, meia dúzia de palavras, ainda que não me dissessem nada, era só isso.
Teu silêncio me custou a sua morte. Velando-te. 
Nem eu acredito de todo até que vejo-te queimar agora de outro modo. Cremo-te em minha alma e a minha gastrite ataca; tamanho o calor da cerimônia. Chorar tua morte é o recomeço da minha vida.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quando um amigo te abraça

Quando um amigo te abraça nada parece maior.
Quando um amigo te abraça você é pessoinha pequenina dentro do abraço. Seu coração bate com tanta força que mesmo quem não está perto consegue ouvi-lo. Seu olhar é doce e íntimo a ponto de enternecer a alma.
Quando um amigo te abraça você cala porque não sente vontade alguma de falar, você aproveita a paz do momento. Não existem palavras contidas na garganta a te sufocar.
Quando um amigo te abraça você nem lembra o que é solidão, e nem quer lembrar. Só existe o aqui e o agora.
Quando um amigo te abraça você não espera nada, tudo pode esperar, mesmo o telefone que toca.
Quando um amigo te abraça você sabe que não está sozinha, e carrega tal certeza para onde quer que vá. Fala dele para outros amigos, e ele participa de muitas boas conversas ainda que por intermédio da sua voz contando as aventuras que viveram.
Quando um amigo te abraça é tão confortável como se ele fosse parte de você. Nem se preocupa em lembrá-lo, já que nunca o esqueçe.
Quando um amigo te abraça vocês pensam em canções que parecem feitas para um momento assim tão gostoso.
Quando um amigo te abraça o amor é o único sentimento.
Quando um amigo te abraça você valoriza ainda mais uma amizade verdadeira. É ótimo, melhor ainda saber que nada mudará.
Quando um amigo te pede desculpas você sente um abraço tão forte que logo esqueçe porque sentiu-se magoada.
Quando um amigo te abraça você gosta ainda mais da rotina diária, pois faz tudo com o coração pleno de amor e respeito.
Quando um amigo te abraça você escreve no blogue.
Quando um amigo te abraça...
Você não espera...
Pois, sabe que hoje muitas pessoas abraçarão e serão abraçadas diante da sua alegria publicada sobre como se sente alguém com um abraço amigo.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bailando

Refletir não é estar triste.
Mudar não é desperdi-se de si, é se encontrar.
Desejar companhia não é carência, é caridade.
Ouvir música lenta não é sinal de solidão, é para quem tem lembranças por companhia.
Dormir mais não é viver menos, é viver melhor.
Sorrir nem sempre atesta alegria.
Nunca chorar é triste.
Existir está além das palavras. Não aprisione os sentimentos dentro de explicações. Não seja genérico.
Áprenda as técnicas, não esqueça da interação mas, antes e acima de tudo; dançe com paixão.



segunda-feira, 3 de maio de 2010

" Arrumando a casa"


Fiz uma terrível constatação hoje acerca de mim mesma: Tenho olhado o relógio com alguma impaciência, desejando que o tempo passe depressa como se esperasse uma ocasião especial. Preciso fazer umas mudanças, "arrumar a casa", mudar de ares talvez. Certa vez em um dos dias da minha infância no qual enfrentava sérios problemas meu irmão disse o seguinte depois de ouvir meus "ais":
_ Cimara, quando um problema estiver tão grande assim e você não conseguir pensar em uma solução, faça algo muito maior, mas faça! O importante é agir e não deixar que os problemas tomem conta de você.
Então eu perguntei:
_ Mas o que eu posso fazer? Gritar? Quebrar alguma coisa? Brigar com Deus?! Ele imediatamente reponde: _ Isso! Sim, brigue com Deus! Com um mundo! Sei lá, só peço que não brigue tanto com você mesma.
Enfim, quando estou assim desanimada ou impaciente reconheço que estão me faltando algumas atitudes.
Hoje resolvi "arrumar a casa". Mudar coisas de lugar (observar as prioridades), buscar algumas novidades (dar espaço a novos sentimentos), me desfazer do que não serve mais ( abrir mão do que já não é). Sou eu quem moro em mim. Alguns são hóspedes, outros visitantes...

domingo, 2 de maio de 2010

Pecado?! Virtude original

Sou simples porque reconheço a beleza dos meus gestos, das minhas palavras, da minha forma. Os simples estão sempre abertos a receber as novidades, as sugestões. Nada fazem por insegurança, pelo contrário; pelo aperfeiçoamento. Não recebem as críticas como uma ofensa, mas como desafio ou um nobre gesto de sinceridade por parte do outro. Nãe está no mundo a disputar, participar... de tudo, inclusive do que é pouco e pequeno e raro.
Sou simples porque tenho a mesma elegância usando Dior, Louis Vuitton, ou uma peça da confecção daquela rua simples, ou usando nada. Sou da mesma altura descalça ou com 10cm de salto. Não olho nem para baixo nem para cima; olho para a frente. Não dispenso o uso de brilhos ou pedras, mas reconheço que o sorriso e o olhar que carrego fazem qualquer jóia encabular-se.
Sou simples porque aprendi a simplicidade convivendo com os soberbos. Aprendi com eles exatamente o que eu não gostaria de ser. Com os simples aprimorei olhares doces e sorrisos largos. Mas não abandonei os soberbos que precisam de aulas de boas maneiras em quaisquer circunstâncias; poucos são os que dominam a etiqueta além da aparência. A simplicidade de um comportamento tão belo quanto a honestidade do mesmo.
Não gosto de artes e livros e design porque sou cult. Sou cult porque gosto de artes e livros e design. Se comento sobre o que vejo é mais pelo que me toca que pelo que entendo. Meu silêncio é aprendizado; meu e dos que me cercam. Silêncio é a arte de ouvir ou simplismente de calar. Sou simples e, portanto, me comunico sem fronteiras sem ser poliglota.
Prefiro convites que ordens ou imposições. Gosto da liberdade, da que tenho e da que concedo. Liberdade de sentimentos e de ações. Não é fácil tal simplicidade antes que se pratique algumas vezes, mas posso afirmar que a vida é muito mais real após um tempo. Os relacionamentos são verdadeiros; simples. Paradoxalmente tudo é mais confortável e o luxo participa de tudo.

Sou simples sem abandonar os perfumes, as rendas e os lençóis de seda. Sou simples porque assumo meus os gostos pelo simples gostar, pelo valor sentimental e não pelo das cifras. Não faço tipo, sou um tipo. Não comum, não diferente, mas original.
Quando sou simples no mais profundo da minha intimidade prefiro a complexidade, o mistério. Confesso que não sei me explicar, e escolhi viver as descobertas...
Minha simplicidade não é pela moral nem pelos bons costumes. Minha simplicidade é tão simples que não pode ser rotulada certa ou errada. Ela é qualquer coisa entre instintiva e racional.
Sou de uma simplicidade tão rara, tão própria, tão minha que chega até a se insinuar. Minha simplicidade provoca do vermelho ao tom da pele. Mas tem a característica que simplicidade de qualquer natureza carrega, é sensível. Choro, grito, me expresso como sinto.
Passeio em becos escuros que me levam a deslumbrantes castelos, é um caminho necessário para chegar lá. Todas as paisagens pertencem a uma mesma alma: a minha. É fazendo uso da minha simplicidade que me permito conhecer, mas pretendo ter alguém por companhia. Alguém que se mostre, que também percorra as esquinas da alma enquanto aperta contra si alguém que acredite poder acompanhá-lo; eu.
Mas não tenho pressa. Ensaio. Simplicidade que admite os erros como aprendizado, mas aspira acertar.
Há todo um ritual de preparação para a inevitável exibição. Maquiagem, figurino, cenário, tensão... Não é tão simples assim...
Porém nada é técnico. Na cena eu não me empresto, eu me dou. Minha simplicidade não é uma farsa, ela só é luxuosa.
Mais selinho! Fico toda boba desse jeito.

Mimo que recebi da Menina do Coisa de Menina

Regras:


1. Postar o selinho no blog
2.Cite três lembranças mais fofas da sua infância:
* Brincadeiras com meus irmãos
* Almoços de família na casa dos meus avós
* As maravilhosas noites de parque com carrosel, maça do amor e tudo que toda criança tem direito

3. Indicar seis blogs:

"Amor Feito Poesia"
*** Um cantinho partilhado por Kátia Maya ***
Warm Rain
Hana > Paz, Harmonia e Amor
Lua Crescente
Pablo Rocha Poesias

                                                                                                                                        Muitíssimo grata.
                                                                                                              
Juci Barros

sábado, 1 de maio de 2010

Vontade de...

Tem horas que dá uma vontade...
Impaciência, falta a concentração.
Faça calor ou frio quando a vontade bate não tem jeito.
Só de pensar já sinto o cheiro.
Abstinência me dá dor de cabeça.
A demora é tê-lo ao alcançe das mãos.
O contato com os lábios aqueçe até a alma...
Seja do jeito tradicional ou até com alguma criatividade já me alivia só em começar a fazer...
Durante é só prazer, depois a mente trabalha a todo vapor.
Hora certa? Não, com ele não existe. Talvez hora errada, acaba com o sono e por isso muitas vezes é ideal.
Com chocolate... huummm. Leite condensado?! Nossa!
Logo depois de acordar é fatal! Depois do almoço antes do soninho...
Querem saber? Estou com vontade agora... Vou fazer!

      

Quando um amigo te machuca.


Quando um amigo te machuca tudo ganha uma dimensão maior, você sente-se longe tudo.
Seu olhar fica distante, a voz tão baixa que até quem está ao seu lado precisa esforçar-se para te ouvir, você quase não enxerga as pessoas.É como se estivesse no alto de uma roda gigante vendo pessoinhas no chão.
Quando um amigo te machuca você entende que nó na garganta não é uma expressão; é um fato.Você não estava esperando o golpe e não criou defesas, as palavras não chegam à boca a tempo e ficam todas lá.
Quando um amigo te machuca você sente a dor da solidão mesmo sem tempo e distância que os separem. A solidão é tão doída que você por estar só; quer ficar só...
Quando um amigo te machuca você desliga o telefone porque não quer falar com ninguém, mas muda de idéia porque ainda que não vá atender, fica esperando a ligação de uma pessoa: um amigo que se retrate.
Quando um amigo te machuca não há lugar nenhum para o qual você possa ir sozinho. Você o leva para todo lugar e ele fica entre você e todos os seus outros amigos, que se esforçam para chegar até você.
Quando um amigo te machuca você até tenta esquecê-lo. Não ninguém mais vivo na lembrança que ele, mas se por um segundo você o esquece corre a lembrá-lo. O enterro assusta mais que o velório.
Quando um amigo te machuca. Música nem anima, nem acalenta; nem consola. Ou é barulho que nada diz, ou só falam de vocês.
Quando um amigo te machuca você percebe a diferença entre indiferença e ódio e a semelhança entre ódio e amor.
Quando um amigo te machuca você talvez até descubra que ele não era seu amigo. É horrível, porque não muda, na verdade até evidencia o fato de que você é amigo dele sim, independente da sua vontade.
Quando um amigo te machuca você até sente vontade de pedi-lo desculpas na tentativa de que ele aprenda e começe a praticar imediatamente.
Quando um amigo te machuca você precisa continuar fazendo tudo que faz ainda que sinta muita dor, ainda que a fratura esteja muito exposta.
Quando um amigo te machuca você escreve no blogue.
Quando um amigo te machuca...
Você espera...
Assim quem sabe, amanhã ou depois eu escreva algo como: Quando um amigo te abraça...