domingo, 2 de maio de 2010

Pecado?! Virtude original

Sou simples porque reconheço a beleza dos meus gestos, das minhas palavras, da minha forma. Os simples estão sempre abertos a receber as novidades, as sugestões. Nada fazem por insegurança, pelo contrário; pelo aperfeiçoamento. Não recebem as críticas como uma ofensa, mas como desafio ou um nobre gesto de sinceridade por parte do outro. Nãe está no mundo a disputar, participar... de tudo, inclusive do que é pouco e pequeno e raro.
Sou simples porque tenho a mesma elegância usando Dior, Louis Vuitton, ou uma peça da confecção daquela rua simples, ou usando nada. Sou da mesma altura descalça ou com 10cm de salto. Não olho nem para baixo nem para cima; olho para a frente. Não dispenso o uso de brilhos ou pedras, mas reconheço que o sorriso e o olhar que carrego fazem qualquer jóia encabular-se.
Sou simples porque aprendi a simplicidade convivendo com os soberbos. Aprendi com eles exatamente o que eu não gostaria de ser. Com os simples aprimorei olhares doces e sorrisos largos. Mas não abandonei os soberbos que precisam de aulas de boas maneiras em quaisquer circunstâncias; poucos são os que dominam a etiqueta além da aparência. A simplicidade de um comportamento tão belo quanto a honestidade do mesmo.
Não gosto de artes e livros e design porque sou cult. Sou cult porque gosto de artes e livros e design. Se comento sobre o que vejo é mais pelo que me toca que pelo que entendo. Meu silêncio é aprendizado; meu e dos que me cercam. Silêncio é a arte de ouvir ou simplismente de calar. Sou simples e, portanto, me comunico sem fronteiras sem ser poliglota.
Prefiro convites que ordens ou imposições. Gosto da liberdade, da que tenho e da que concedo. Liberdade de sentimentos e de ações. Não é fácil tal simplicidade antes que se pratique algumas vezes, mas posso afirmar que a vida é muito mais real após um tempo. Os relacionamentos são verdadeiros; simples. Paradoxalmente tudo é mais confortável e o luxo participa de tudo.

Sou simples sem abandonar os perfumes, as rendas e os lençóis de seda. Sou simples porque assumo meus os gostos pelo simples gostar, pelo valor sentimental e não pelo das cifras. Não faço tipo, sou um tipo. Não comum, não diferente, mas original.
Quando sou simples no mais profundo da minha intimidade prefiro a complexidade, o mistério. Confesso que não sei me explicar, e escolhi viver as descobertas...
Minha simplicidade não é pela moral nem pelos bons costumes. Minha simplicidade é tão simples que não pode ser rotulada certa ou errada. Ela é qualquer coisa entre instintiva e racional.
Sou de uma simplicidade tão rara, tão própria, tão minha que chega até a se insinuar. Minha simplicidade provoca do vermelho ao tom da pele. Mas tem a característica que simplicidade de qualquer natureza carrega, é sensível. Choro, grito, me expresso como sinto.
Passeio em becos escuros que me levam a deslumbrantes castelos, é um caminho necessário para chegar lá. Todas as paisagens pertencem a uma mesma alma: a minha. É fazendo uso da minha simplicidade que me permito conhecer, mas pretendo ter alguém por companhia. Alguém que se mostre, que também percorra as esquinas da alma enquanto aperta contra si alguém que acredite poder acompanhá-lo; eu.
Mas não tenho pressa. Ensaio. Simplicidade que admite os erros como aprendizado, mas aspira acertar.
Há todo um ritual de preparação para a inevitável exibição. Maquiagem, figurino, cenário, tensão... Não é tão simples assim...
Porém nada é técnico. Na cena eu não me empresto, eu me dou. Minha simplicidade não é uma farsa, ela só é luxuosa.

11 comentários:

A. Reiffer disse...

Gostei da linguagem deste texto, muito expressiva.

D. R. disse...

:)

Sou simples.

Forma muito bonita de expressar o que sentes e desenvolver este tem. :)

Parabéns.

Beijinho*

Ives disse...

Nossa, senti que vc colocou alma nisso, abraços

Amapola disse...

Boa noite, amiga.
Adorei seu texto.
Você é simples de coração, apesar da sua condição não ser.
O luxo não deprecia nenhuma alma boa.
Que Deus coloque no seu caminho, o grande amor verdadeiro que você merece!

Um grande abraço. Durma bem.

Doce Nostalgia disse...

Eu gostei do que o texto passa, super expresivo, e forte ao memos tempo!

Otimo!!! rs

Beijos moça!

*lua* disse...

Olá menina linda!!!

Realmente seu sorriso faz qualquer jóia encabular-se ... o sorriso é a forma mais singela de carregramos o divino dentro de nós ... e vc além de carregá-lo nos distribui ... obrigada.

Obrigada pelo selo, vou pegá-lo meio sem jeito ... sem achar merecimento, mas muito muito agradecida!!!

beijos!!! e boa semana

Valéria disse...

Que mal há em querer estar sempre bem, você com seus gostos requintados e assumido é uma forma sim de ser simples.

BeijooO'

... disse...

realmente encantador!

Rafael disse...

A beleza não é só ser simples, mas também ver a simplicidade nos outros


belíssimo texto

Renato Hemesath disse...

Olá Juci!
Eu não vi a 2ª versão de Sabrina, por isso que evitei comentar algo sobre, mas de maneira geral não me identifico muito com refilmagens, principalmente quando se trata de um original em preto e branco.

Sobre teu post, percebo que ser simples é como ser ousado... não usar máscaras para defender o que lhe faz bem, é saber conhecer e viver o que de algum modo nos completa.

Boa semana, beijos

Juci Barros disse...

Pessoal, só pra constar: não sou dondoca heim! rsrs
Beijos!