domingo, 16 de janeiro de 2011

Não te chamo... mas te amo. Não te quero... mas te preciso.

     Respirando fundo e lentamente encostada em um canto e despida dos pesos que posso e de tudo que me sufoca. É o esforço da pausa para continuar vivendo, para ser a melhor que posso ser aos que quero, aos que me querem. Esperando o coração se acalmar, a lembranças se atenuarem. Eu tenho horas de ninar as dores, e com carinho sim, para que elas adormeçam em paz e me deixem em paz também. A dor apesar de triste, apesar do seu lado dilacerante; ela constrói. A dor requer cuidados ternos, ninar a dor é purificar a alma, é enternecer.
     A dor é minha filha, ela nasceu de mim, das minha atitudes impensadas ou da minha omissão. Antes da dor fui seduzida, e no pior dos casos fui violentada. Mas quando estou colocando a dor para dormir vejo uma menina indefesa (eu mesma) que precisa de força e alento firmes de mãe (eu também). Como odiar o que de mim é parte? Antes aprender e esperar que nela cresça grandiosa beleza, e que no futuro ela me dê alegrias. Existe um modo, esse que vos falo, de entrar na dor como em um santuário; é um momento que não pode ser profanado. Existe em mim um ser que agora não se divide nem se soma a nenhum outro. Um egoísmo por um bem maior, para só então ter plenitude, só depois.
     Eu gostaria mesmo assim de não estar só; gostaria de alguém que acarinhasse meus cabelos e esquentasse meu corpo sem se ofender com minha distância. Gostaria de um amor, aquele que antes de desejar me ter cuidasse para que eu estivesse bem, e que, ainda sendo esse meu momento de completa indiferença a qualquer outra coisa que não seja a minha dor, ele ignorasse o resto do mundo e sentisse aí um momento nosso, do qual ele recordasse com carinho. Amor... assim quando uma mãe com cobertor protege seus filhos  e os beija enquanto dormem, na distância dos seus sonhos não a vêem, mas quando acordam no meio da madrugada percebem a proteção sobre eles contra o vento frio da madrugada.
     Como amar um corpo que não responde? Será que não pode se dar pra mim ao invés de querer-me possuir? Eu sei que ainda exalo perfume de vida, sei que tenho pele e olhos que despertam vontade, mas eu não estou com você... mas quero-te comigo. Vele meu sono, confira se estou respirando, beije-me e de leve me chame. Mas não me queira tomar enquanto a dor não dormir. Não posso sentir a ti quando a dor é latente, e então você irá dormir e eu ficarei chorando ...
     Eu superaria voltar e não me ver em teus braços. Eu entenderia sua ausência até o meu retorno  Mas você gritou comigo exigindo que minha dor fosse adiada... ah me doeu! Ainda dói. Penso no futuro nós dois juntos tão separados: eu teria que escolher a passar uma febre de 39º debaixo dos lençóis ou te acompanhar em reunião com os nossos amigos. Vejo você apagando a luz enquanto avisa onde guardou o anti térmico. Eu sei que tínhamos um compromisso, mas eu não sei se tínhamos um sentimento... Temos?
     Lembro de um dia em que eu quase dormia enquanto ninava a dor e você me despertou; meu coração disparou ao som da tua voz:  _ Conta comigo!Conta comigo... 
     As lágrimas que escorrem dos meus olhos enquanto estou no meu santuário são de contemplação, quando lavo as feridas que adormecem, é a cura que lentamente se faz. Mas você gritou comigo me agitei e magoada a ferida se faz outra dor e não são simplesmente lágrimas que escorrem.


     Eu sangro porque o dia não amanhece se as dores não dormem. Eu choro porque volto e não te vejo. Meus olhos se perdem para o que poderia ter sido. Dói o que foi. Dói o que é. Dói o medo do que será. 
     O problema é que ainda que acabe eu não acabo. É mais uma dor para acalentar, sem a esperança de ter alguém ao lado para comigo as verem dormir, para me ajudar a transformá-las em alegrias.

25 comentários:

'Lara Mello disse...

Triste isso.. Sorte!

Bé* disse...

Acontece tanto...

Everson Russo disse...

Acontece,,,mas tudo pode ser superado,,,beijos de boa semana.

Eurico Rocco disse...

aconteceu comigo

bom texto...

http://delitosperdidos.blogspot.com/

Sandra Botelho disse...

Amiga querida os dias passam e com eles todas as dores.Basta que deixe seu coração liberto e ele certamente lhe trará novas alegrias.
Bjos achocolatados

Michele disse...

Adorei sua visita no Blog.

Teu espaço é um mimo. Estou te seguindo.

Bj

Leninha Morais disse...

Lindo!

Insana disse...

Desolador..

bjs
Insana

Amapola disse...

Boa noite, querida amiga.

O amor é tão belo e ingrato ao mesmo tempo. Quando tivesse que acabar, que acabasse de ambas as partes, para não deixar lacunas.

Muito obrigada pela honra da sua visita.

Beijos no coração. Muitas felicidades no amor e em tudo.

Marinha disse...

"A gente morre de amor, mas continua vivo", não é?
Há algo de belo na tristeza narrada no texto!
Belo blog!
Bjo e paz.

Confissões de uma borboleta disse...

Tudo passa...como um rio.
Outras primaveras virão.
Beijos

Sônia Silvino disse...

Parabéns pelo texto maravilhoso, Juci!
Bom dia!!!
Desejo nesta semana...
Paciência para as dificuldades
Tolerância para as diferenças
Benevolência para os equívocos
Misericórdias para os erros
Perdão para as ofensas
Equilíbrios para os desejos
Sensatez para as escolhas
Sensibilidades para os olhos
Delicadezas para as palavras
Coragem para as provas
Fé para as conquistas
E amor para todas as ocasiões

UMA FELIZ SEMANA PRA VOCÊ!!!
Beijinhos, muitos!
Sônia Silvino's Blogs

Everson Russo disse...

Imenso beijo de linda semana pra ti querida amiga...

ValeriaC disse...

Querida, estou voltando e venho te desejar belos dias... que sua semana seja maravilhosa...beijinhos
Valéria

Vanessa Souza Moraes disse...

Tantos nãos, que pedem tantos sins.

http://vemcaluisa.blogspot.com/

Yasmine Lemos disse...

triste ,mas faz parte de enredo do amor.
bjs e uma ótima semna

Valéria Sorohan disse...

O importante é ter a certeza que tudo passa, essa dor também passa.

BeijooO*

Zil Mar disse...

Oi Juci....

Desejo que a sua dor passe...que a sua ferida sare...e que vc não precise mais ninar a sua dor....

Bjos e boa semana!!!

Tem 8 selinhos no blog pra vc.

Zil

C. disse...

descreveu tão bela a minha dor...
lindo..

Fátima disse...

Em primeiro lugar queria agradecer a sua visita ao meu blog, fiquei muito contente :).
Em relação ao post, sinto muito por estar a sentir-se dilacerada por dentro mas acredito que ao escrever sobre isso dessa forma como o faz, a ajuda aos poucos a acalmar o que vai aí na alma.
Força!

Bjs

Daniel disse...

Realmente é explêndida a forma com que você delineia as palavras e por mais que sejam tristes, há verdade e muita verdade no que profere. Todos queremos um amor como você descreveu, do "ouvir respirar nosso sono" o dificil é encontrar um assim, e quando se acha, deve-se lutar para que não se perca, para a dura procura não voltar novamente. Lindo texto.

Dan

Poemas e Amizades disse...

Oi, Juci, boa tarde!!
Gostei demais do texto. É vivo, candente, temperado em melancolia, de muita expressividade. Amei, mesmo.
A natureza e a permanência da dor são temas complexos. Vê-la como filha, colocá-la para ninar é um pensamento interessante. Contudo, isso ocorrerá apenas eventualmente. A dor sentimental é o caso, aplica-se. Mas colocá-la para dormir é apenas uma das opções – a mais desesperada. É matemática simples: renunciar e dizer adeus é passar por três dores: a da renúncia, a da solidão e a do recomeço. Então, preferimos uma dor somente; preferimos ninar a dor do que é mas não é, do que temos mas não temos, na esperança de que um dia (já tão demorado) sejamos de fato e tenhamos de verdade. A dor de não ser amado em plenitude volta nos pequenos choques de realidade, temos que nos convencer de que dor mantida purifica, e temos que colocá-la para ninar. Às vezes, nós ninamos nos braços dela, acordamos e o primeiro rosto que vemos... – é o dela.
Sei que vou contra a matemática pura, que insiste em que três dores, por lógica, são mais dores que uma dor. Só que elas passam. Essa não passa. Dor é um daqueles bichinhos estranhos em que um às vezes é mais que três.
Às vezes é preciso dizer adeus.
Um abraço carinhoso
Lello Bandeira
P.S. Postei esse comentário indevidamente em outro texto seu. Desculpe-me.

Paulinha disse...

Amiga,

Muito profundo...

Como é difícil lidarmos com a dor, quando na verdade ansiamos pelo amor, não é mesmo?!

Mas saiba, que não existe outra maneira de se curar uma dor, a não ser enfrentá-la de frente.

Temos que olhar dentro dos olhos da dor, e ver que por mais que insitimos em alimentá-la, chegará o dia em que não mais seremos fracos para sermos manipulados pelo ego da dor.

Não existe amor sem dor, e nem dor que resista aos primeiros vestígios do amor.

Ser forte, ter discernimento...e dar tempo ao tempo...é a melhor saída, quando tudo já não parece ter saída.

....
Passei por meses e meses de dor, a dor da perda de um amor....mas estou aqui, livre ...e sei que a vida sempre nos reserva algo melhor, basta sabermos esperar...

Um grande beijo, no que precisar...estarei aqui, no meu blog...e via e-mail que está na lateral do blog.

A paz.

Priscilla Cavazzotto disse...

Suspirei!
Belo texto...embora triste.
Irás superar isto!
Beijos meus e um linda semana!

Multiolhares disse...

Difícil momento, nem sei que dizer
deixo o meu abraço apertado
beijinhos