segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O mundo da lua


Céu azul estrelado e uma lua imensa foi onde mergulhei meu olhar. Peguei carona no cavalo de São Jorge e desconfio que quem olhou para a lua em minha estadia por lá devido o vento que batia contra meu rosto fazendo meus cabelos esvoaçarem notou alguma diferença. A distância não atrapalhava a visão que eu tive quando olhei para baixo, pelo contrário, era como se eu usasse uma lente de aumento que me permitia olhar cada cantinho em qualquer lugar do mundo. São Jorge parecia feliz por me proporcionar tanta novidade e aproveitava também para comentar sobre coisas que via todas as noites e que se repetiam milênios afora embora com pessoas de gerações diferentes; jardins perfumados de flores novas em primaveras de outro continente e árvores cobertas de neve no outono de outro. Ele falava-me como era divertido a inversão de estações. Aonde uma hora as árvores estariam cobertas de flores, as flores do jardim desabrochariam com alguma timidez devido ao vento frio da nova estação. Toda a natureza em ciclos, assim também ele me mostrou um casal de namorados no banco de uma praça, a mesma no qual vira a tataravó da garota dar o primeiro beijo em seu tataravô, ou seja, ela "nasceu" ali e nem sabia e naturalmente alí dava continuidade às gerações.
Mas lá de cima não vi apenas coisas que se comparem pelo que possuiam de incomum. Vi situações de extremos e intrigantes opostos. Em uma embarcação muito simples um pequeno grupo de homens admirava a lua com algum respeito e certa contemplação, tratava-se de pescadores que se guiavam pelo céu. Eles tomavam dois dedos de cachaça barata para amenizar o frio e trocavam palavras entre si e sorriam. Ouvi um deles elogiar a beleza da lua e me senti envaidecida por participar daquilo. Porém, em outro canto do mundo alguns homens vestidos como executivos bebiam wiskque caro em uma espécie de varanda localizada no segundo piso de um restaurante imponente. Em certo momento um deles olhou para a lua de modo que até me encabulei, mas seu olhar era triste e vazio, ele estava concentrado em seus problemas. Os amigos estavam muito bêbados para ouvi-lo e a lua era apenas um ponto fixo em que seus olhos apontavam desacompanhados do olhar.


Antes que a tristeza daquele homem me tomasse São Jorge apontou em direção a calçada de uma casinha simples onde uma senhora olhava dois meninos brincando de bolas de gude. Sem que eu pudesse pensar nada ele me apontou a cobertura de um prédio com uma linda área de lazer, lá estavam uma senhora muito elegante vestindo Barbies com uma menininha. O santo cavaleiro perguntou-me então se eu poderia dizer o que fazia de mulheres tão diferentes muito parecidas e eu exitei responder.
_ Elas esperam seus maridos, os pais de seus filhos. Uma virá do mar e o outro de um bar, ambos precisam de alegria na chegada e afagos de mulher e filhos para encorajá-los a enfrentar um novo dia de trabalho._ Contou-me o santo.
Vi velórios e ouvi choro de criança nascendo. Vi crianças brincando de roda e vi crianças de arma na mão. Vi momentos de amor e também solidões quase eternas. Vi noite de calmaria em aldeia indígena e noite atravessada pelo tumulto em acidente de trânsito em avenida movimentada. Vi pessoas elegantes indo a igrejas e outras rezando baixinho entre um cobertor fino e um pedaço de papelão. Vi parques de diversão. Vagalumes brilhando em mata fechada e quase achei que fosse o céu ao contrário. Então como que um impulso pelo hábito levantei o olhar como quem procura o céu e vi a lua... e refiz com o olhar o contorno que me disseram ainda na infância ser São Jorge... e se alguém me olhou naquele momento certamente não entendeu o sorriso de gratidão esboçado em minha face.
Não sei se alguém acreditará na viagem fantástica que fiz enquanto olhava através da janela. Talvez digam que eu ando no mundo da lua, embora eu acredite que a lua participe do mesmo mundo que o meu.

12 comentários:

Mulher Vã disse...

Parece um sonho legal!! =))

Adoro essas viagens

Beijo

Marcos Almeida disse...

Seu blog ta lindo querida! sempre me trazendo boas inspirações. Obrigado pela viagem e conte sempre comigo

Abraços do amigo em fragmentos.

Ives disse...

Nossa, tinha um anjo sussurrando p vc este texto né rss abraços

ValeriaC disse...

Querida, inspiradas palavras...
Que seja doce seu dia...beijinhos...
Valéria

Anga Mazle disse...

Obrigado pela visita, Juci. Não só pela gentileza, mas por nos dar (a mim e a meus três parceiros) a oportunidade de conhecer o seu blog. Uma graça, e com textos ótimos.

Beijos

Bé* disse...

mais um bom texto!

continuo a seguir o seu blog!

um beijo*

Kakah* disse...

Mtmtmmaneito :D
Gosteiii
Parabééns

BJinhuss

Vitor disse...

Altamente inspirado o texto.Bonito como a lua,e não só...outra coisa não era de esperar!

Bj*

*lua* disse...

Ah Juci, que texto mais lindo, que viagem fantástica ... quando tomamos distância de algumas coisas podemos ver de forma mais ampla, seus contornos e a vida que se move, agora quando ficamos sempre presos a lentes de aumentos, ficamos estáticos vendo aquele porção, parecendo inanimada. É assim que entendi essa viagem ... vendo outros mundos aqui na Terra, da lua e a lua também sendo vista, a todo momento como sempre bela. Beijo no coração

Fátima disse...

Adorei a viagem! e fui junto contigo ai no cantinho..rs

Belo momento de inspiração.

Beijos meu

gatos nao gatos disse...

nossa estava precisando dissso obrigado

gatos nao gatos disse...

nossa estava precisando dissso obrigado