quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Alô alô marciano...

Sei que já estou ficando repetitiva, mas ainda é uma reação. Pior seria (ou será) quando eu cansar definitivamente. Tá ok! Amo ler, e ver um filminho e até algumas futilidades, mas eu preciso mesmo viver as pessoas, comentar sim, mas mais que isso, construir relações, histórias, correr riscos e oferecer algum também! Não sei se já tiveram a sensação de estar diferente demais dos seus iguais ou distante demais dos seus próximos...
Sinto falta de turma com ideais, de pessoas com alguma coragem para viverem grandes acontecimentos, jovens engajados em movimentos que visem o futuro e ao mesmo tempo com um projeto de vida baseados na família. As pessoas estão esquecendo de serem importantes para si para serem o que os outros pensam ser importante. Moças e rapazes cada vez mais preocupados com as capas de suas redes sociais do que com os sentimentos que carregam. Ele para todas e ela para todos. Ninguém é o que somos enquanto ficamos tão preocupados em sermos alguém.
Procuro rodas de amigos nas calçadas, discutindo letras de músicas, questões próprias das suas vidas, a real... em vão. Um dia eu também tive a ilusão de que a net poderia aproximar as pessoas, e até pode quando elas estão fisicamente distantes mas, o que é distante para você? Dá muito trabalho ir até o outro bairro encontrar alguém quando tenho algumas dezenas de pessoas "falando" enquanto sentado aqui de frente ao monitor. Independente da idade todos vivem as mesmas coisas. Então esqueçamos os ideais, os planos, e como falar de valores então? Amor?! Não não. Agora é tudo no plural. Amores. Agora tem até fila heim! É um tal de "a fila anda" que não tem fim. Quem nunca ouviu ou até mesmo disse isso?!
Vez ou outra eu me sinto constrangida quando faço coisas que até custei a aprender e que hoje se tiver algum valor o colocam como negativo; coisas como ligar para alguém pra saber como foi o dia, ou parar para repensar  alguma situação que precisa ser melhorada. Me perguntam: Que diferença faz? Ou me encorajam: Que nada, com a vida inteira pela frente vai pensar nisso?! Ou ainda não dizem nada. Nada sentem. Quando eu aprendi a dar carinho às pessoas elas não sabem mais recebê-lo. 
É pena mas, não temos nada mais sério além das notícias trágicas em noticiários. Posso até dizer que na vida que temos levado, a única coisa realmente séria é a morte. Na vida não cabe mais a tristeza, a solidariedade sentida de fato, o encantamento que rompe as barreiras do corpo e do tempo. 
Igualdade sexual conseguimos, homens e mulheres agora são de igual valor, ou seja: nenhum. O que é bonito é para se mostrar; a todos, a qualquer um. Mas, o que é bonito? São as coisas, não as pessoas, é tudo que se pode pegar. Ops. Mas agora as pessoas não se amam; se pegam...
Eu sempre fui entusiasta da liberdade, como única filha mulher da casa fui uma adolescente rebelde e assim conquistei coisas que meus irmãos apesar de garotos não ousaram. Mas eu conquistei provando ser capaz, principalmente a capaz de reconhecer os erros e me desculpar por eles. Liberdade de sair consciente de que alguém em casa me esperava, portanto, nunca saí para fugir porque a minha família é o meu refúgio. Até hoje brinco em algumas situações que não preciso de nenhum tipo de droga para me dar coragem ou energia para viver intensamente. Ao contrário do que estão dizendo as pessoas precisam depender de outras sim para serem independentes de fato. Mas não... preferem depender de coisas que de pessoas.
Me parece que o vazio é inevitável. As pessoas estão divididas, ou são "conteúdo" (palavras e fotos) ou são forma. Pessoas inteiras são caretas, são carentes, e por gostarem tanto assim da realidade são sonhadoras, quase alienígenas.
Quanto a mim continuo tentando. Tentando agir, libertar e conservar a minha liberdade. Não a que andam exercendo por aí. Mas a liberdade de ser gente, de ser eu, de amar o outro, de sofrer de vez em quando. Eu sei que existem muitos que pensam como eu, mas a falta de engajamento fez com que perdessem a consciência política tão própria do ser humano, porque não fazer nada já é fazer alguma coisa. Precisamos defender o que acreditamos, e questionar também. Vida inteira pela frente?
Pode ser. Mas tudo que entendo de vida até agora estão dentro dos vinte e cinco anos que já passaram, e muito rápido... e felizmente não sei quantos mais terei. O agora é tudo que nos resta.
Não sou pessimista, sou realista e até reacionária. Pessoas melhores para fazerem melhor uso das coisas. Talvez eu seja um tanto exigente, mas eu não entendo mesmo como preferem sacrificar uma vida ótima por dias mais ou menos. Acreditem, muito do que coloco aqui foi aprendizado. Já conheci pessoas que me trouxeram uma maravilhosa sensação de "como foi bom ter vivido até aqui", e acho que a vida deve mesmo ser cheia de tal sensação. Assim como o Tom Jobim eu não acredito que alguém seja feliz sozinho, e que o amor é fundamental. Mas quando nossas relações não são mais fundamentadas no amor o que resta? Infelizes.
Então eu abraço e beijo e necessito colocar um sorriso no rosto de alguém todos os dias, pretendo me imunizar contra uma vida com gosto de nada. Chego em casa algumas vezes tão cansada e mesmo com a chave na bolsa toco a campanhia para ver alguém me receber e dar um beijo em seu rosto e aí pergunto: Estava morrendo de saudades de mim? Seja quem for ri muito e me retribui com uma expressão doce e feliz. Porque sabe que sou real, que estou exatamente onde quero estar e se nem lembrava de mim nas últimas horas naquele momentou sentiu que estava sim morrendo de saudade.
Na contramão ensaiam o comportamento da distância, alheios a tudo e a todos inclusive alheios de si. E eu volto ao Tom: Passam por a vida e não vivem, escutam mas não ouvem, olham e não vêem. Gostar é sinônimo de fraqueza e um monte de outros sinônimos que não fazem sentido só para não sentir. Que eu seja fraca porque eu sinto, e sinto muito, sinto tanto. Então fico observando a todos e aí sim incomoda, incomoda não poder dividir. Então eu enlouqueço e faço ligações, e mando e-mails e fico assim; cansada, pensativa e escrevo pra caramba! Costumo dizer que dou oportunidades aos que me conhecem, oportunidades de serem melhores, agradáveis, simpáticos, é uma brincadeira que vista ligeiramente sem muita reflexão parece até presunção da minha parte. mas, na verdade é só um modo e de dizer: estamos aqui e a vida é isso, o que faremos do nosso encontro? Ou então: Me julgue menos e me conheça mais, você tem tudo o que precisa; eu e o agora.
Nada me escapa, nada acontece que eu não tire proveito. As reações ruins me mostra o que não quero voltar a sentir, as boas o que quero repetir e fazer sentir também. As quedas não são de todo agradáveis, mas só depois delas é que sei quem me estende a mão e até  carrega  nos braços se preciso. Mas bom mesmo é alguém que te apare antes da queda, que te carregue pelo prazer de tê-lo(a) nos braços e enfim... de ser de fato importante, essência e presença além do que se possa mostrar.


8 comentários:

*lua* disse...

Oi Juci, esse acho eu foi o texto que mais senti vc falando como se estivesse na minha frente (enraçado). Um texto muito real, prazeirozo de lê-lo a cada frase. Por que de alguma forma vc coloca meus pensamentos ali de forma tãi simples, que eu não conseguiria fazê-lo, tamanha insatisfação minha. Teria muitas coisas a dizer, mas não vou lotar a caixa de comentários (rs) é covardia. Mas acredito sermos frutos de uma geração de transformação interna, pois a família já não é a mesma, e todos os valores foram mexidos e remexidos, nos deixando como barcos a deriva, querendo salvar oridinariamente nossas próprias vidas, não temos hoje o olhar do outro, estamos numa fase egoísta, mas claro há os que conseguem decifrar a si próprios bem rápido e assim loucamente busca o outro para compartilhar essa vitória, ou até mesmo suas derrotas. Uma geração sem identidade, correndo atrás dela ... acho que é isso ... posso até estar errada, mas é isso que sinto, infelizmente! Buscar os nossos hoje em dia, está mais difícil do que ganhar na mega-sena rs.

Joana Carvalho disse...

adorei :)

Valéria Sorohan disse...

Juci, esse mundo está mudado, os valores são outros. Rapte-me camaleoa....


BeijooO

Nini C . disse...

sempre éh bom uma dosinha de realisto, texto excelente...

Úrsula Avner disse...

Oi Juci,

vim conhecer um pouquinho do seu espaço virtual e agradecer sua visita e amável comentário lá no Sempre Poesia. Bj com carinho.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

ah..... a vida pode ser mesmo bem interessante se a gente for pensando, ponderando, refletindo dentro da gente. Muito bom o seu desabafo. Mostra maturidade aliada a jovialidade.

Bé* disse...

Este testo está de facto sentido, genuíno, absoluto, seu! Um texto pequeno para aquilo que sinto que quer dizer, que quer expressar e que eu quero ler, porque realmente você me faz sentir o que escreve! Gostei particularmente da expressão "Não sei se já tiveram a sensação de estar diferente demais dos seus iguais ou distante demais dos seus próximos..."!..sinto-o muitas vezes!!

Aguardo por um livro seu!

Um beijo*

Vitor disse...

Estava a precisar de ler um texto assim...simples mas cheio de contiúdo e substancia...dá para meditar e reflectir,e muito!

Parabéns por o teres escrito.

Bj*