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domingo, 9 de janeiro de 2011

Quando acordar...

Acabo de engolir um tarja preta e no momento entram em combate os sentimentos de culpa e esperança. Mas todos dormem e eu fico aqui cada vez mais cansada. Preciso desligar... Agora é questão de minutos; talvez pouco mais e uma hora. Já foi mais rápido_me preocupo_talvez precise logo de algo mais forte.
Tenho tantos planos. Tenho até tempo. O que me falta? Eu me falto. Horas tenho corpo, horas só tenho corpo, horas minha mente procura um corpo para dar ordens e ele não está lá.
Estou pensando em fotos amanhã, de um lugar bonito e pessoas felizes. A minha imagem talvez se faça, ou talvez eu apenas capture as de outros. Na tentativa de me mostrar mostro outros. Terei companhia, o namoradinho nos programou felizes amanhã em domingo no parque. Será uma das vezes que eu me encontro assim que ele me encontrar?
O problema é se eu não estiver mais afim... ou então ser um outro problema, afinal será Eu novamente, ou seja, interrogações e reticências garantidas. Espero ser invadida por um fotografar, ou um beijo demorado, ou qualquer outra coisa boa que eu participe. A disposição foi ingerida, mas a vontade de felicidade é minha. É ela que me move.
Eu estou acordada e pronto, enquanto isso me relaciono e não dá para evitar. Sinto cansaço e medo de cansar as pessoas, eu preciso que doem vida real e natural. Toda a vida que tenho parece tanto pra elas, e quero da delas um pedacinho. Nem sabem como são importantes, eu acho que não sabem porque se esforçam para me conquistar todos os dias. Ou será que é por saberem?
Talvez eu também queira sorvete com calda de caramelo. Sentar na grama. Ouvir música. Falar da vida. Falar de amor em silêncio. Fazer amor. Ou não. Fazer planos para depois de amanhã... Viver hoje... Agora! Imediatamente... dormir...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Quem é você? E o que somos nós?

Não bastasse tentar lembrar do que passou com riqueza de detalhes tenho que destroçar o presente para dar a nós um possível futuro.
Ninguém entende as dores do meu corpo, como se bastasse apenas tê-lo; um corpo.
Não me esforço? O que são então as leituras teimosas em vencer um memória lesada? Minhas mãos acariciando os cabelos de alguém enquanto minha cabeça lateja. Respiro fundo para não gritar. Perco a madrugada de sono sem sono. É um paradoxo minha vida, o melhor que tenho são as horas de esquecimento.
Abro a bolsinha de remédios e olho para a cartela do tarja-preta. Resisto. Não me querem assim (penso). Assim como? Em paz? E onde estão agora enquanto fico aqui em meio uma guerra sem trégua?!
Mais absurdo que meus surtos é a sanidade excessiva dos fortes guerreiros normais que talvez nunca saibam o que é um combate.



Já amanheceu, e eu dorme entorpecida. Eu vi o sol, reguei as plantas, alimentei os peixes e fiz algo na cozinha. Não esqueci a guerra, ignoro-a. Posso ser vítima de uma granada e não temo agora, e se atingida, o que importa o depois? Depois de mim é o que fica, que não mais serei eu. 
 Caminho sonolenta e alguns sentidos parecem agora mais fortes. Sinto o vento gostoso, e tenho a impressão de estar em uma dimensão encantada. Não me importo que não percebam, que me rotulem louca e drogada. Eu os amo mesmo assim e dou a eles uma presença iluminada, leve, que se orgulha largamente de ter paz, ainda que breve.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Pessoa e as pessoas em mim.


Tenho todos os motivos para não ser e nenhum para ser.
Sou.
Há um grito ensurdecedor acontecendo agora em mim.
Silencio.
O que sinto não tem forma. Nem estilo. Só sentido.
Ignoro.
Não cabe a mim julgar.
Condeno.
Minhas palavras não cabem em um poema, nem em um soneto, nem crônica, nem em palavras.
Escrevo.
Um cansaço de tudo. Uma dormencia. Um torpor.
Insônia.
Nunca estive tão lúcida antes, as coisas se apresentam com tamanha clareza que as entendo em demasia.
Louca.
Penso em vários idiomas, dialetos, sinais. Poderia explicar o que desejasse a qualquer pessoa do planeta.
Solitária.
Dedicada esposa, amiga atenciosa, amante das artes do amor e sobretudo das artes...
Solteira.
Um frio de bater o queixo, todas as extremidades latejam.
Nua.
Confusa entre as cores, são tão lindas!
Sépia.
Tanto sono... Boceja. Deita.
Acorda.
Faz e aconteçe.
Sonha.
Adora música. Sax. Bateria. Agudos.
Enxaqueca.
Espera palavras bonitas. Declarações. Juras ao pé do ouvido.
Surda.
Saudade profunda de tudo que quer viver. Lembrança insistente dos nadas que foram. Medo do que não virá. Vontade do que já possui. Remorso de não ter culpa. Vida cheia de morte.
Eterna.
Ainda quando as frases parecem soltas, desconexas, distantes... elas nos denunciam. Quando não há coerência alguma nos descobrimos. A incoerência é a mais humana das características. São nas lacunas, no vazio, no silêncio compartilhado que nos identificamos. As palavras nos disfarçam, nos vestem. Nos protegem? Não sei...
Quanto mais penso menos quero pensar. Apesar de todo sofrimento que os sentidos podem acarretar, temo não sofrer. Não, não gosto de tristeza, mas é uma necessidade para quem deseja ser feliz. Como sabe que é feliz quem nunca foi triste? Poderá ser um triste crônico.
Vou continuar me perdendo no desassossego como o genial Fernando Pessoa, para poder sossegar de vez em quando vendo o Menino Jesus dormir, ou passeando de mãos dadas como a Lígia, ou me permitindo certo dias adiar as preocupações para Amanhã.
Sou pessoa porque tenho todos os motivos para não ser e nenhum para ser.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Recortes de paisagens e canções são a obra inteira de uma vida

        É... ontem foi outro dia. Mas e hoje? Hoje só pode ser hoje, as únicas possibilidades de hoje ser outro dia foi ontem ou os dias que seguirem a partir de amanhã. Minha relação com o tempo sempre esteve em pauta nas reuniões comigo mesma, rsrs. Um dia eu quero viver tudo de uma vez, no outro até a palavra viver me incomoda, outros ainda eu gosto muito mesmo de viver, só que dormindo, o que cá pra nós é uma atividade maravilhosa! Não, não é preguiça, é sinceridade. Mas hoje eu acordei cheia de disposição e resolvi ir à praia, afinal: "moro num país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza; mas que beleza!" Pra completar moro em uma "cidadezinha" linda com o mar a menos de 1 hora da minha casa  e das da maioria doa habitantes também rs. O cenário está completo, plena segunda-feira praia calminha, céu e mar azuis, Juci (sem enxaqueca) e uma câmera na mão.
        Por uma questão de justiça esse é um texto pós overdose, ou seja; uma injeção de ânimo. Comigo é assim, vivo tentando me equilibrar em meio aos extremos e foi por tal motivo que me comprometi com o acaso, e que ele me proteja quando eu andar distraída, e quando não estiver por favor, me distraia! Ah, hoje o sol está radiante, e apesar de não se tratar do Rio temos por volta de 40º graus em uma cidade maravilha. Ao contrário de quem não quer nem luxo nem lixo estou transitando aí pelo meio, no último post tava meio lixo, hoje só luxo a ponto de decidir ficar dourada na Praia de Atalaia mirando as ondas do mar...

                                                                                  (Por Juci Barros)
        Insisto em reafirmar aos leitores que o  nosso espaço não é meu diário, muito menos válvula de escape. Pelo contrário, as palavras possuem o poder de libertar o que sentimos ao mesmo tempo em que apreendem o que somos. Mas partindo do princípio da utilidade incluo nas dicas de bem viver assim como nas artes a conjugação do verbo (VIVER) em toda sua complexidade. É legal trocarmos informações profissionais, dicas disso e daquilo, mas o que temos de comum e de incomum no que há dentro em nós é mais, é fascinante. Dentro de um mesmo texto os convido a sair de uma loucura proposta e proposital e relaxar, faço um breve cartão postal da minha cidade, canto mentalmente e as músicas entram no meu rabisco, e nem sei se sou harmonia ou confusão. Eu preciso fazer alguma coisa com as palavras que estão, sempre estão mesmo quando as silencio apreciando a paisagem dinâmica do mar, dinâmica não só pelas ondas mas pelo vendedor de coco que passa, o casal fazendo sua caminhada matinal até que vem o surfita que torna a paisagem além de dinâmica interativa quando se dirige a mim para pedir que guarde seus objetos pessoais enquanto ele mergulha. Já pararam para pensar como os desconhecidos também participam das nossas lembranças? É por indagações assim que não consigo acreditar no acaso por acaso...
        Escrever é divino porque você empresta a quem lê seus sentido e suas sensações, como as minhas não me bastam ou não me explicam preciso das dos outros para ao menos me aceitar. Acho que sou uma vivente compulsiva, viver não basta... é preciso ler sobre a vida e escrever sobre ela também. Acho que estou aprendendo a jucimarear o que há de bom .

domingo, 4 de abril de 2010

Reflexos da dor

       
        Hoje ou eu ou você terá uma overdose com as minhas palavras, segundo post do dia quando eu passo dias sem mesmo vir aqui. Esse não é um espaço triste, não era para ser e não é, porque eu não sou. Estou aqui dando um tempo para tomar mais um remedinho para exaqueca, de algum modo são entorpecentes, os caros médicos amigos sabem do que estou falando, hoje necessitarei da última alternativa. Não sei se ele acaba com a dor ou comigo, porque "apago". Hoje meu telefone tocou algumas vezes e gosto de pensar que sou querida, não sei quando as palavras irão cessar. Mas será mesmo? Sou querida ou as pessoas é que são carentes em demasia? Neguei minha presença, minha companhia guardei para o compromisso que não foi ao acaso, mas nem por isso seguro. A enxaqueca, a dor atrapalha meus planos, mas não me descompromete, preciso de cuidados e atenção, mas não sei se querida o suficiente. Perdoem-me os amigos dedicados; será que agora eu estou carente além do normal? Ah se só doesse a cabeça, tudo é indigesto e para completar o nó na garganta.
        Se não fosse tanta paixão não sentiria tanto, mas perder mais um dia? No dia que de fato brigar comigo mesma ou com o mundo não doerá mais. Ainda não... está doendo. Eu assumo a culpa de sei lá o que, não dói mais e de repente até me distrai. A chuva voltou, acho que também combina com enxaqueca. Por que não me oferece o ombro ou um carinho? Os artigos farmacêuticos estão ao alcançe de uns tostões e nem preciso, sempre tenho alguns comigo. Se precisar de alguém no meio da noite... não direi a você. De você não quero nada, mas quero tudo porque o que a mim entregar estará bem cuidado. Desejará saber se amanhã estarei bem? Que pergunta... hoje não estou e que diferença isso faz? Mas hoje não dói, amanhã certamente doerá. Hoje eu escrevo devaneios, como eu comentei é uma overdose de palavras na tentativa de diminuir o peso. Tenho um jeito meio estranho de me revelar, é cheio de mistérios. Mas tenho dois braços abertos que sempre serão simples e claros, com eles eu me entrego ou simplismente recebo-te.
        Hoje nem o escuro nem o silêncio fazem diferença, estou no limite. Diz-me um querido amigo que sofro de excesso de desejantes que ocupam mais tempo discutindo os desejos que efetivando, e que o bom é que assim passamos mais tempo juntos. Para ele não há o que discutir além do que vemos na TV ou a caminho de algum lugar. Ele adora meu sorriso(e vive dizendo isso) mas acolhe meu silêncio, me puxa pra pertinho com o interesse único de ter a irmã que escolheu por perto. Fez planos para mim hoje e a enxaqueca não sabia, nem eu. Logo eu que não sou chegada a adiamentos estou sucessivamente me deixando adiar. Mas bem, só para quem aceita, e logo penso: será tão ruim?
        Acordei atordoada... era hora de tentar viver. Estômago embrulhado, corpo doendo e muitas marteladas na cabeça, tentei pensar entre uma e outra. O medo do soar de vozes e então prefiri digitar: SOS, palavras confusas sim mas fazendo valer a intenção de que lembro de nós. Você acredita em mim? Não sei o que mais temo, se uma resposta positiva ou negativa. Não sou dada a mentiras, mas o descaso é igual ou pior...
        Não é raiva, é dor de cabeça. Não é negação, é pedido. Tudo que tenho agora é confusão, tento me dirigir à uma solução e não confia na verdade sobre o que tudo isso parece. Não desista de mim agora porque seu abandono precisa me doer e agora não tenho espaço para outras dores. Não estou triste, estou dormente. Postarei o presente texto amanhã quando colocarei em dia tudo que foi adiado e estarei imensamente feliz porque terei o amanhã para te oferecer de presente no presente.