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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Lendo-me em Lispector - Parte I

Postado por: Juci Barros


Caros amigos; ontem acabei de ler o primeiro livro do ano; A Paixão Segundo G. H. de Clarice Lispector.. Pretendo no mínimos doze, um por mês. Eu sou apaixonada pelo estilo dela, há os que digam que o meu se assemelha ( que honra!), é narrativa, crônica, filosofia... tudo junto. É como o pensamento que sai divagando sem muitos critérios, são sentimentos bem vivos, quentes. A base da escrita é a reflexão sobre a existência, sobre sentimentos, sobre o que há de belo não apenas nas virtudes, como também nos defeitos do que é ser humano, ou seja, até o lado desumano é humano. Somos completos e ao mesmo tempo somos uma busca infinda. Temos um nome, iniciais_ G. H. _ mas sobre tudo temos um refletir sobre o que é ser o que somos, e tentamos desesperadamente explicar o que inevitavelmente nos toma e acaba por dirigir nossas ações; a Paixão.

Citarei alguns trechos da obra como um presente à vocês, e mesmo um incentivo a conhecer melhor a autora. Certamente fará diferença em vossas vidas assim como faz na minha:


"Por enquanto o primeiro prazer tímido que estou tendo é o de constatar que perdi o medo, do feio. E essa perda é de uma tal bondade. É uma doçura.
Quero saber o que mais, ao perder, eu ganhei. Por enquanto não sei: só ao me reviver é que vou viver."





"Por um instante, então, senti uma espécie de abalada felicidade por todo o corpo, um horrível mal-estar feliz em que as pernas me pareciam sumir, como sempre em que eram tocadas as raízes de minha identidade desconhecida."


" A liberdade é um segredo. Embora eu saiba que, mesmo em segredo, a liberdade não resolve a culpa. Mas é preciso ser maior que a culpa. A minha ínfima parte divina é maior que a minha culpa humana. O Deus é maior que minha culpa essencial. Então prefiro o Deus, à minha culpa. Não para me desculpar e para fugir mas porque a culpa me amesquinha."






" Na verdade era o grande prazer de um não ser o outro: pois assim cada um de nós tinha dois."


 " Cansada de quê? Que fizemos nós, os que trotam no inferno da alegria? Há dois séculos que não vou. Da última ver que desci da sela enfeitada, era tão grande a minha tristeza humana que jurei nunca mais. O trote porém continua em mim. Converso, arrumo a casa, sorrio, mas sei que o trote está em mim. Sinto falta como quem morre. Não posso mais deixar de ir."




 


" Ouve, por eu ter mergulhado no abismo é que estou começando a amar o abismo de que sou feita."














" Pois prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas me prometer a vida(...)
E eu tenho. Eu sempre terei. É só precisar que eu tenho. Precisar não acaba nunca, pois, precisar é a inerência do meu neutro. Aquilo que eu fizer do pedido e da carência_esta será a vida que terei feito de minha vida."




"Pois ser real é assumir a própria promessa: assumir a própria inocência e retomar o gosto do qual nunca se teve consciência: o gosto do vivo."










"Ah meu amor, não tenhas medo da carência: ela é nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça_que se chama paixão."




Referência Bibliográfica: LISPECTOR, Clarice. A paixão Segundo G. H. Ed. Scipione Cultural.1996. Madrid. Espanha.

Nota: Agradeço ao meu namoradinho , responsável por me proporcionar a releitura da obra me emprestando o exemplar. (Juci Barros)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mãos

Desde criança eu tenho a mania de olhar as mãos das pessoas e logo avalio se são feias ou bonitas. As mãos de uma pessoa dizem muito, e não quer dizer que é na mesma proporção da beleza delas. Mãos calejadas não são bonitas, mas geralmente contam a história de uma vida de muito trabalho pesado. Mãos boitas são até um luxo, mas remetem a toque macio. Mas meu primeiro impulso se olho uma mão é mesmo a beleza, se tem acessórios, se as unhas são feitas, se são fofinhas.

Quando estou com as unhas por fazer me sinto feia não importa o quanto me arrume, então toda a semana mesmo achando que perco algumas preciosas horas dou alguma atenção a elas, mas, é mercido se pensar que quase tudo que fazemos contam com as mãos, ferramentas fundamentais para a realização de tantos trabalhos.
Eu ainda olho as mãos das pessoas talvez com maior interesse que antes, seja das pessoas no ônibus, dos atendentes de qualquer lugar que eu vá, os caixas de supermecados, médicos, etc. Quando vejo mãos bonitas eu logo penso que se trata de alguém com a mesma mania que eu, e se olho de soslaio, olha lá a criatura olhando as minhas também!
Mas não há beleza maior em mãos que as do afago. E se não forem "mãos de seda" ainda assim carregam a maciez da intenção. Espero que vocês tenham nas mãos muitas história bonitas para contar!

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Devo mesmo dizer então que tudo dura para sempre, que mesmo que envelhecidas e amareladas e cheias de poeira em um canto esquecido as páginas já escritas estarão lá, e digo mais; ainda que as queime o fato é que foram escritas...
                   Juci Barros
" Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos...“sem querer“.
Freud

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Todo o retorno é conseqüência de um ir... de um fazer

Recebemos aqui mais um selinho, e dedico e ofereço a todos os que aqui visitam e comentam fazendo jus a proposta do blog, o do compromisso com o acaso de hora ou outra se identificar com algo ou mesmo discordar e manifestar sua opinião, ou ainda se deixar encantar em devaneios que são tão vossos quanto meus a medida que somos parte de um todo maravilhosamente diverso, um todo no qual cada parte que aqui se encontra se esforça e tem mesmo a necessidade de se fazer parte significativa. 
Regras do selo: Responder as perguntas:







1. O que te inspira?

A vida por completo, as surpresas e o tédio, inclusive o nada.







2. Sobre o Blog da pessoa que te indicou: 

O Marquinho é um cara incrível pelo dom de escrever, pela generosidade, e o blog dele reflete todas estas 
qualidades.

* Graças ao acaso fui surpreendida no último domingo por receber em minha casa através da TV a visita de um Sr. ilustre pelo qual tenho grande admiração. Suas palavras sempre tão sábias e poéticas encheram meu coração de ternura devido a uma forma sublime de se comunicar que parecia de fato estar a falar comigo, porque tanto para o bom quanto para o ruim nós recebemos pessoas em nossos lares ao assistirmos televisão. Como já falei tanta foi minha surpresa e meu envolvimento com o meu convidado que pretendo dedicar a ele ainda outros espaços aqui no blog, mas por hora o citarei brevemente:


"A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas. Disso eu quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não tem voz".
Ferreira Gullar

domingo, 8 de agosto de 2010

Palavra + Ação + Inquietação + Reação = Revolução

Ainda movida pelo mesmo sentimento do texto anterior estou inclininada a fazer de opiniões ações. Nunca a palavra pela palavra nem o agir por agir. Palavra e ação são duas forças que se completam.
                 Juci Barros

"O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor."
(Che Guevara)

domingo, 1 de agosto de 2010

Desafio

Desafio feito pela *lua*
Objetivo: Conhecer-me por imagens.
Minha dificuldade: Sou muito intensa e provavelmente as imagens não darão conta.

NÃO PASSO SEM:
PREENCHO-ME:

FUNDO-ME:

ENCONTRO-ME:

MINHA ESTAÇÃO PREFERIDA:

APRECIO:

APRENDO MAIS COM OS:

NÃO SUPORTO:

O QUE ME FAZ RIR:

segunda-feira, 7 de junho de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Pessoa e as pessoas em mim.


Tenho todos os motivos para não ser e nenhum para ser.
Sou.
Há um grito ensurdecedor acontecendo agora em mim.
Silencio.
O que sinto não tem forma. Nem estilo. Só sentido.
Ignoro.
Não cabe a mim julgar.
Condeno.
Minhas palavras não cabem em um poema, nem em um soneto, nem crônica, nem em palavras.
Escrevo.
Um cansaço de tudo. Uma dormencia. Um torpor.
Insônia.
Nunca estive tão lúcida antes, as coisas se apresentam com tamanha clareza que as entendo em demasia.
Louca.
Penso em vários idiomas, dialetos, sinais. Poderia explicar o que desejasse a qualquer pessoa do planeta.
Solitária.
Dedicada esposa, amiga atenciosa, amante das artes do amor e sobretudo das artes...
Solteira.
Um frio de bater o queixo, todas as extremidades latejam.
Nua.
Confusa entre as cores, são tão lindas!
Sépia.
Tanto sono... Boceja. Deita.
Acorda.
Faz e aconteçe.
Sonha.
Adora música. Sax. Bateria. Agudos.
Enxaqueca.
Espera palavras bonitas. Declarações. Juras ao pé do ouvido.
Surda.
Saudade profunda de tudo que quer viver. Lembrança insistente dos nadas que foram. Medo do que não virá. Vontade do que já possui. Remorso de não ter culpa. Vida cheia de morte.
Eterna.
Ainda quando as frases parecem soltas, desconexas, distantes... elas nos denunciam. Quando não há coerência alguma nos descobrimos. A incoerência é a mais humana das características. São nas lacunas, no vazio, no silêncio compartilhado que nos identificamos. As palavras nos disfarçam, nos vestem. Nos protegem? Não sei...
Quanto mais penso menos quero pensar. Apesar de todo sofrimento que os sentidos podem acarretar, temo não sofrer. Não, não gosto de tristeza, mas é uma necessidade para quem deseja ser feliz. Como sabe que é feliz quem nunca foi triste? Poderá ser um triste crônico.
Vou continuar me perdendo no desassossego como o genial Fernando Pessoa, para poder sossegar de vez em quando vendo o Menino Jesus dormir, ou passeando de mãos dadas como a Lígia, ou me permitindo certo dias adiar as preocupações para Amanhã.
Sou pessoa porque tenho todos os motivos para não ser e nenhum para ser.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010