Caros amigos; ontem acabei de ler o primeiro livro do ano; A Paixão Segundo G. H. de Clarice Lispector.. Pretendo no mínimos doze, um por mês. Eu sou apaixonada pelo estilo dela, há os que digam que o meu se assemelha ( que honra!), é narrativa, crônica, filosofia... tudo junto. É como o pensamento que sai divagando sem muitos critérios, são sentimentos bem vivos, quentes. A base da escrita é a reflexão sobre a existência, sobre sentimentos, sobre o que há de belo não apenas nas virtudes, como também nos defeitos do que é ser humano, ou seja, até o lado desumano é humano. Somos completos e ao mesmo tempo somos uma busca infinda. Temos um nome, iniciais_ G. H. _ mas sobre tudo temos um refletir sobre o que é ser o que somos, e tentamos desesperadamente explicar o que inevitavelmente nos toma e acaba por dirigir nossas ações; a Paixão.
Citarei alguns trechos da obra como um presente à vocês, e mesmo um incentivo a conhecer melhor a autora. Certamente fará diferença em vossas vidas assim como faz na minha:
"Por enquanto o primeiro prazer tímido que estou tendo é o de constatar que perdi o medo, do feio. E essa perda é de uma tal bondade. É uma doçura.
Quero saber o que mais, ao perder, eu ganhei. Por enquanto não sei: só ao me reviver é que vou viver."
"Por um instante, então, senti uma espécie de abalada felicidade por todo o corpo, um horrível mal-estar feliz em que as pernas me pareciam sumir, como sempre em que eram tocadas as raízes de minha identidade desconhecida."

" A liberdade é um segredo. Embora eu saiba que, mesmo em segredo, a liberdade não resolve a culpa. Mas é preciso ser maior que a culpa. A minha ínfima parte divina é maior que a minha culpa humana. O Deus é maior que minha culpa essencial. Então prefiro o Deus, à minha culpa. Não para me desculpar e para fugir mas porque a culpa me amesquinha."
" Na verdade era o grande prazer de um não ser o outro: pois assim cada um de nós tinha dois."
" Cansada de quê? Que fizemos nós, os que trotam no inferno da alegria? Há dois séculos que não vou. Da última ver que desci da sela enfeitada, era tão grande a minha tristeza humana que jurei nunca mais. O trote porém continua em mim. Converso, arrumo a casa, sorrio, mas sei que o trote está em mim. Sinto falta como quem morre. Não posso mais deixar de ir."
" Ouve, por eu ter mergulhado no abismo é que estou começando a amar o abismo de que sou feita."
" Pois prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas me prometer a vida(...)
E eu tenho. Eu sempre terei. É só precisar que eu tenho. Precisar não acaba nunca, pois, precisar é a inerência do meu neutro. Aquilo que eu fizer do pedido e da carência_esta será a vida que terei feito de minha vida."
"Pois ser real é assumir a própria promessa: assumir a própria inocência e retomar o gosto do qual nunca se teve consciência: o gosto do vivo."
"Ah meu amor, não tenhas medo da carência: ela é nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça_que se chama paixão."
Referência Bibliográfica: LISPECTOR, Clarice. A paixão Segundo G. H. Ed. Scipione Cultural.1996. Madrid. Espanha.
Nota: Agradeço ao meu namoradinho , responsável por me proporcionar a releitura da obra me emprestando o exemplar. (Juci Barros)









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