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terça-feira, 22 de março de 2011

A Vida:Como ela é?

Ao pensar em vida o que te ocorre na mente de imediato? Creio que as respostas de cada um estará intimamente ligada aos sentimentos latentes de cada um. Ou seja, ao longo dos anos a pergunta feita à mesma pessoa terá duas ou mais respostas diferentes, e não é contraditório. Hoje gosto muito mais de sentir a vida quando não penso, gosto de sentir sem necessariamente dar um sentido a tudo. Para mim vida não se assemelha a nada muito elaborado, respirar é simples, não nascemos com manual que nos ensinasse a fazer o coração bombear e o sangue circular em nossas veias. Os nossos gostos podem até ganhar elaborações e o nosso modo de viver pode ser regrado em alguma contrução teórica que no é posta ou imposta, mas o ato de sentir as coisas é anterior. Sentir e viver são então sinônimos, saber viver é algo que vem depois; depois que complicam o que é simples, depois que paramos de sentir e começamos a ouvir outras vozes que não as da nossa intuição, e é inevitável.
Contudo, em alguns instantes é possível com alguma atenção e esforço voltarmos ao estado original do nosso ser, acontece algumas vezes também involuntariamente; quando sentimos a nossa pulsação, ou quando algo como um cheiro ou um sabor nos fascina a ponto de por minutos ou segundos concentrarmo-nos no prazer do gosto e do cheiro. É assim também quando o nosso corpo reage aos prazeres sexuais, ou quando resolvemos um problema antigo e sentimos uma leveza física inexplicável. 


Acredito que os que mais entendem de viver são os que vivem há pouco tempo, ou que viveram um pouco mais que a maioria_crianças e idosos. As crianças só desenvolvem uma forma de comunicação mais elaborada depois de alguns anos, enquanto isso se ocupam de apreender a vida através dos sentidos, e até que lhes imporem o contrário é tudo de que precisam. Já os que ganharam a sabedoria com o passar dos anos livram-se de todo o desnecessário, voltam a apreciar as cores, as belezas naturais, a valorizar os movimentos, os pratos, as noites, a companhia...
Os adolescentes taxados problemáticos se encontram em momento de confusão, os instintos ainda são fortes, porém, a sociedade lhes impõem posições, estão sujeitos a aprovações ou reprovações, o que sentem importa mas o que lhes dizem não é menos importante. Ou seja, apesar de tudo que sentem buscam um sentido para a vida porque existir é muito confuso.
 Existe também um modo de definir vida que muito me agrada; é o que baseia-se na observação do outro,e para isso é preciso fazer parte de outras vidas, olhar e admirar muitos outros seres da nossa e de outras espécies, fazer comparações de situações e reações que já vivemos ou sentimos com tantas outras semelhantes. Aprender sempre, porque saber viver leva muito tempo; um tempo que nenhuma vida terá tempo suficiente para concluir o aprendizado.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Lendo-me em Lispector - Parte I

Postado por: Juci Barros


Caros amigos; ontem acabei de ler o primeiro livro do ano; A Paixão Segundo G. H. de Clarice Lispector.. Pretendo no mínimos doze, um por mês. Eu sou apaixonada pelo estilo dela, há os que digam que o meu se assemelha ( que honra!), é narrativa, crônica, filosofia... tudo junto. É como o pensamento que sai divagando sem muitos critérios, são sentimentos bem vivos, quentes. A base da escrita é a reflexão sobre a existência, sobre sentimentos, sobre o que há de belo não apenas nas virtudes, como também nos defeitos do que é ser humano, ou seja, até o lado desumano é humano. Somos completos e ao mesmo tempo somos uma busca infinda. Temos um nome, iniciais_ G. H. _ mas sobre tudo temos um refletir sobre o que é ser o que somos, e tentamos desesperadamente explicar o que inevitavelmente nos toma e acaba por dirigir nossas ações; a Paixão.

Citarei alguns trechos da obra como um presente à vocês, e mesmo um incentivo a conhecer melhor a autora. Certamente fará diferença em vossas vidas assim como faz na minha:


"Por enquanto o primeiro prazer tímido que estou tendo é o de constatar que perdi o medo, do feio. E essa perda é de uma tal bondade. É uma doçura.
Quero saber o que mais, ao perder, eu ganhei. Por enquanto não sei: só ao me reviver é que vou viver."





"Por um instante, então, senti uma espécie de abalada felicidade por todo o corpo, um horrível mal-estar feliz em que as pernas me pareciam sumir, como sempre em que eram tocadas as raízes de minha identidade desconhecida."


" A liberdade é um segredo. Embora eu saiba que, mesmo em segredo, a liberdade não resolve a culpa. Mas é preciso ser maior que a culpa. A minha ínfima parte divina é maior que a minha culpa humana. O Deus é maior que minha culpa essencial. Então prefiro o Deus, à minha culpa. Não para me desculpar e para fugir mas porque a culpa me amesquinha."






" Na verdade era o grande prazer de um não ser o outro: pois assim cada um de nós tinha dois."


 " Cansada de quê? Que fizemos nós, os que trotam no inferno da alegria? Há dois séculos que não vou. Da última ver que desci da sela enfeitada, era tão grande a minha tristeza humana que jurei nunca mais. O trote porém continua em mim. Converso, arrumo a casa, sorrio, mas sei que o trote está em mim. Sinto falta como quem morre. Não posso mais deixar de ir."




 


" Ouve, por eu ter mergulhado no abismo é que estou começando a amar o abismo de que sou feita."














" Pois prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver, e não apenas me prometer a vida(...)
E eu tenho. Eu sempre terei. É só precisar que eu tenho. Precisar não acaba nunca, pois, precisar é a inerência do meu neutro. Aquilo que eu fizer do pedido e da carência_esta será a vida que terei feito de minha vida."




"Pois ser real é assumir a própria promessa: assumir a própria inocência e retomar o gosto do qual nunca se teve consciência: o gosto do vivo."










"Ah meu amor, não tenhas medo da carência: ela é nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça_que se chama paixão."




Referência Bibliográfica: LISPECTOR, Clarice. A paixão Segundo G. H. Ed. Scipione Cultural.1996. Madrid. Espanha.

Nota: Agradeço ao meu namoradinho , responsável por me proporcionar a releitura da obra me emprestando o exemplar. (Juci Barros)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Infinitivamente infinitos



Quando eu penso no tempo que tenho o que mais se coloca em meu pensamento é o tempo que não tenho. O tempo que não tenho ao qual me refiro é o que passou sem que eu o aproveitasse melhor, e também o que certamente ainda deixarei passar sem fazer dele uma estimada lembrança. Eu vivo o recomeçar em cada amanhecer, ou ainda se me sinto pesada e finita recomeço em qualquer outra hora do dia como a criança que de olhos recém abertos tenta descobrir o mundo e experimenta a si mesma.


As pessoas, cada uma delas, tem sua própria maneira de superar o que foi ou de tentar o que deseja que venha. Mas nem todas se preocupam com o tempo que levam, ou melhor, que não levam. Alguns sofrem demais e outros de menos, e assim o tempo passa. Mas com a passagem do ano, em geral as pessoas fazem planos e em suas retrospectivas pessoais planejam os acertos retirando lições dos erros cometidos. Porém, são tão inconsistentes os planos que se desfazem em poucos dias, ou até horas.
Gostaria de sugerir a cada um de vocês segundos, minutos ou horas a mais que se somem em muitos dias, que prolonguem vida e até a multipliquem:


Leia um livro que tem vontade e nunca tem tempo, ao menos 15 minutos por dia, e retire dele algo que te sirva. Aprenda uma receita nova e cozinhe para pessoas que ame. Satisfaça o paladar delas e terá o prazer de um sorriso, um elogio além de uma nova habilidade adquirida.Reorganize seus CDs e ouça aquele que a muito tempo não ouve; cante alto, dance se puder.Visite aos que te são importantes com mais freqüência, leve flores, um vinho, chocolates se puder ou quiser, mas nunca esqueça de ser a companhia que tu és.


Ame a todos sem os poupar do amor que lhes cabe por direito, diga que ama, o quanto ama. Quanto ao amor que se faz desejo, que o amor seja feito, e que seja mais vezes, e que seja melhor.Cuide de si, olhe para o espelho de modo que perceba vida refletida.


Eu desejo que o acaso nos proteja de modo que a vida plena, ousada e intensa se faça o nosso maior compromisso.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Todo o retorno é conseqüência de um ir... de um fazer

Recebemos aqui mais um selinho, e dedico e ofereço a todos os que aqui visitam e comentam fazendo jus a proposta do blog, o do compromisso com o acaso de hora ou outra se identificar com algo ou mesmo discordar e manifestar sua opinião, ou ainda se deixar encantar em devaneios que são tão vossos quanto meus a medida que somos parte de um todo maravilhosamente diverso, um todo no qual cada parte que aqui se encontra se esforça e tem mesmo a necessidade de se fazer parte significativa. 
Regras do selo: Responder as perguntas:







1. O que te inspira?

A vida por completo, as surpresas e o tédio, inclusive o nada.







2. Sobre o Blog da pessoa que te indicou: 

O Marquinho é um cara incrível pelo dom de escrever, pela generosidade, e o blog dele reflete todas estas 
qualidades.

* Graças ao acaso fui surpreendida no último domingo por receber em minha casa através da TV a visita de um Sr. ilustre pelo qual tenho grande admiração. Suas palavras sempre tão sábias e poéticas encheram meu coração de ternura devido a uma forma sublime de se comunicar que parecia de fato estar a falar comigo, porque tanto para o bom quanto para o ruim nós recebemos pessoas em nossos lares ao assistirmos televisão. Como já falei tanta foi minha surpresa e meu envolvimento com o meu convidado que pretendo dedicar a ele ainda outros espaços aqui no blog, mas por hora o citarei brevemente:


"A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas. Disso eu quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não tem voz".
Ferreira Gullar

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Interrompemos a nossa programação para a exibição da propaganda eleitoral gratuita...

A cada novo ano de eleição tenho me convencido da mudança que o nosso voto proporciona. De fato, vejo os repetitivos candidatos a uma vaguinha nas maravilhosas poltronas das câmaras e gabinetes cada vez mais bem aparentados e bem vestidos. Alguém duvida acerca das mudanças?! Não dá gente, é fato! Outra coisa interessante é acompanhar as gerações dos "bem sucedidos", pessoas "de família "que seguem a cartilha do sucesso e então apresentam-se no programa eleitoral aos montes: Fulano Filho ou Cicrano Neto. Dá gosto de ver estes meninos orgulhosos do título "filhinho do papai" e herdeiros dos investimentos da família, dos cargos públicos do papai graças aos votos também herdados e propagados ao longo das gerações dos filhos dos papais que quando muito conseguem quitar sua casinha já por volta dos sessenta anos e a confusa sensação de que a deixará como herança para os seus cinco filhos assim como o desmembramento da família visto a confusão que se dará quando da partilha.
O engraçado é que quando aparecem caras novas se candidatando, alguns que ousam conquistar um lugarzinho nos belos corredores dos suntuosos prédios e claro, no seleto grupo que é notícia nas colunas socias (onde políticos tem algo de artista, de celebridade), nós que assitimos do outro lado da telinha não conseguimos segurar a risada tamanha a falta de traquejo e carga de verdade em discursos sem muita elaboração baseados nas dificuldades sofridas por eles mesmos, mas que nós já tão acostumados sempre com mais dos mesmos acabamos achando a realidade mais ridícula que o teatrinho "nojento" costumeiro.
O resultado pouco expressivo nas urnas a respeito de candidatos com os quais talvez mais nos identificamos é a prova de que já aceitamos a condição de peças de engrenagem, nunca de donos da fábrica. Servimos com prazer e ainda aproveitamos qualquer oportunidade para mostrarmos gratidão por quem nos olha de cima. A prova disso é permitir que os figurões se auto promovam propagando imagens dos "grandes sacrifícios" que eles fazem tão resiginados como beijar nossas crianças e apertar as mãos calejadas de quem trabalha com pás e enchadas. Outro dia fiquei estarrecida quando acompanhando no noticiário o que entitulam "Dia do Candidato"  a forma enternecida como colocaram o fato de um candidato se dipôr fazer uma rápida viagem de metrô e preferir ficar em pé. Desde quando isso é uma opção para os "brasileiros comuns"?
Se tem uma coisa que aprendi é que não dá pra fugir, somos naturamente seres políticos. Não fazer nada já é fazer alguma coisa. Por isso que eu resolvi TOMAR PARTIDO (não pude evitar o trocadilho) das minhas próprias constatações, ainda que seja para aumentar a consciência de peça de engrenagem.



domingo, 8 de agosto de 2010

Palavra + Ação + Inquietação + Reação = Revolução

Ainda movida pelo mesmo sentimento do texto anterior estou inclininada a fazer de opiniões ações. Nunca a palavra pela palavra nem o agir por agir. Palavra e ação são duas forças que se completam.
                 Juci Barros

"O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor."
(Che Guevara)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Para refletir e reconhecer


"Quem contempla aqueles temíveis despenhadeiros escarpados onde geleiras se acumulam considera impossível que venha um tempo em que, no mesmo sítio, se instale um vale de relvado e floresta, com regatos. Assim é  também na história da humanidade: as forças mais selvagens abrem caminho, e, embora destrutivas, de início a atividade delas foi necessária para que, mais tarde, um modo de vida mais suave aí se erguesse sua morada."
(Nietzsche. Humano, Demasiado Humano.)  

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Preconceito (enquete)

Resultado da enquete:

 NEGROS  (11%)
HOMOSSEXUAIS  (41%)
PORTADORES DO HIV  (29%)
DEPENDENTES QUÍMICOS  (0%)
PORTADORES DE DEFICIÊNCIA (17%)

Caros leitores. Faz algum tempo descobri que todos nós temos algum preconceito... significa que temos o conceito prévio de algo que não conhecemos em profundidade. Mas quando o conceito carrega julgamentos infundados caímos no erro da maldade. Logo, ainda que todos sejamos preconceituos, nem
todos somos perversos.
Quanto as classes da enquete todos são vítimas de preconceito, uns por um grande número de pessoas, outros por um número menor, porém, mais cruel. Ao longo dos anos os negros ganharam voz e se tornaram um forte movimento social e cultural. Contudo, algumas vezes tenho a impressão  que seus próprios discursos estão cada vez mais racistas. Como se a igualdade não fosse mais a pretenção, mas sim a posição de guerra e alguns benefícios concedidos aos considerados "menos favorecidos".
Portadores de deficiências fisicas ou mentais por sua vez, enfrentam o descaso do poder público e de algumas pessoas que em algum momento perceberão que somos todos do mesmo "material" e frágeis. Estamos prontos e acabados, mas enquanto vivos nada é definitivo.
Dependentes químicos são vítimas de si mesmos, e de quem não os vêem como vítimas. Mas, ainda que sejam os agressores sem dúvida também são agredidos.
Os portadores do HIV além de diariamente precisarem fortalecer a imunidade, lutam para não desanimar diante do medo dos que acreditam que eles são uma ameaça. Também  há os infelizes que ousam questionar a doença como merecimento ou castigo.
Quanto a mim tento aprender todos os dias um pouco mais acerca do que vejo. Não pra justificar, muito menos para julgar pois é tarefa que não cabe a mim. Tudo que consegui até hoje com minhas observações foi ajudar... ajudar a mim mesma a valorizar a vida. A vida que tenho, e a vida de todos os iguais a mim; apesar das diferenças.

domingo, 23 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 de maio

Lei Aurea

Não há mais nada a ser feito.
A unica escravidão ainda existente é a imposta em sua maioria pelos próprios negros. As minhas palavras são duras, mas, carregadas de tristeza.  Insistem em divisões, cotas que nos separam, pois chegamos aos mesmos lugares por caminhos diferentes. Querem dar cor a nossa consciência, que eu nem sei se tem cor...
De um modo talvez inconsciente, os brancos sentem vergonha de sua cor. Sim, eu disse os brancos, porque ser branco virou sinônimo de culpado.
                                                         

Gosto de cores. Amo pessoas. Avalio sentimentos.
E a liberdade é linda. Estampada em um sorriso que naturalmente aconteçe no apreciar de um arco-íris.



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nova indicação ao selinho Dardos, agora por Helga dos cantinhos Planícies da Imaginação e Planícies da Memória. Sabemos como tais mimos são importantes para nosso incentivo e também interação. Estou muito feliz com a participação de todos e espero melhorar cada vez mais, fazendo valer o compromisso que tenho com o acaso e com todos que por acaso ou não aqui visitam. Beijos.
                                                                                                                                               
 Juci Barros

SONETO ANTIGO

Responder a perguntas não respondo.

Perguntas impossíveis não pergunto.

Só do que sei de mim aos outros conto:

de mim, atravessada pelo mundo.



Toda a minha experiência, o meu estudo,

sou eu mesma que, em solidão paciente,

recolho do que em mim observo e escuto

muda lição, que ninguém mais entende.



O que sou vale mais do que o meu canto.

Apenas em linguagem vou dizendo

caminhos invisíveis por onde ando.



Tudo é secreto e de remoto exemplo.

Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.

E todos somos pura flor de vento.



Cecília Meireles

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bailando

Refletir não é estar triste.
Mudar não é desperdi-se de si, é se encontrar.
Desejar companhia não é carência, é caridade.
Ouvir música lenta não é sinal de solidão, é para quem tem lembranças por companhia.
Dormir mais não é viver menos, é viver melhor.
Sorrir nem sempre atesta alegria.
Nunca chorar é triste.
Existir está além das palavras. Não aprisione os sentimentos dentro de explicações. Não seja genérico.
Áprenda as técnicas, não esqueça da interação mas, antes e acima de tudo; dançe com paixão.



segunda-feira, 26 de abril de 2010

Minha realidade é escrever

 Hoje, revirando antigos cadernos encontrei um texto que guardei ainda criança e que foi decisivo em minha vida. Ele explica até mesmo nosso blog. Naquele momento decidi  escrever enquanto vida tivesse,e, se conseguisse fazer parte de alguns segundos que fossem da atenção de um leitor seria imensamente feliz. Dedico então esse texto a todos vocês. Beijos.
                                                                                                                                Juci Barros




 Meu Ideal Seria Escrever...


Rubem Braga




        Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".
        Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
        Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
        E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".
        E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".
        E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.



A crônica acima foi extraída do livro "A traição das elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 91.

domingo, 18 de abril de 2010

Humana sim, e humanista também!

        Desde a adolescência quando despertei um interesse mais profundo pelos livros achei que precisava seguir uma tendência, uma identidade intelectual, se é que se pode chamar assim. Buscando algo que estivesse intrínseco em mim desde cedo e ao mesmo tempo que eu me empanhasse para desenvolver esse algo foi que descobri  que o que quer eu buscasse teria origem na minha humanidade  e no meu interesse acerca da mesma. Quase que por um impulso me classifiquei humanista e assim fui levando o rótulo sem nenhum embasamento teórico. Bem, para minha felicidade continuo seguindo a corrente humanista depois de pesquisar a respeito. Ufa! Se bem que de lá para cá coleciono grupos com os quais me identifico e concordo com a coerência dos seus fundamentos. Não pretendo aqui um papo intelectual , mas como desejo uma troca do que temos de bom vou tecer algumas informações desse termo com o qual tanto me identifico.
        A corrente humanista enfatiza caracteríticas que predominam no sujeito; desejos, carências e anseios assim como a interação entre as pessoas. Assim, atitudes humanísticas visam uma motivação baseadas em um esquema hierárquico de motivos-necessidades. O responsável pela elaboração de tal esquema foi um dos expoentes humanistas chamado Abraham Maslow (1908-1970), segundo ele o comportamento humano inicialmente envolvem a satisfação das necessidades mais primárias, as que garanteam a sua sobrevivência. Somente após manifestam a metamotivação que correspondea auto-realização.
        O esquema hierárquico:
1) NECESSIDADES FISIOLÓGICAS- Oxigênio, líquido, alimento ou/e descanso.

2) NECESSIDADE DE SEGURANÇA- Explica nossas rotinas e mobiliza nosso organismo em situações de emergência.

3) NECESSIDADE DE AMOR E PERTINÊNCIA- Amar; pertencer a um grupo, ter relações afetivas em geral.

4) NECESSIDADE DE ESTIMA- Confiar em si mesmo, valorizar-se diante das pessoas e situações, ter força de vontade para realizar algo, saber de sua própria utilidade para uma determinada situação.

5) NECESSIDADE DE AUTO-REALIZAÇÃO- Ser efetivamente aquilo que já é potencialmente.

6) NECESSIDADE DE CONHECIMENTO E COMPREENSÃO- Curiosidade de conhecer e compreender, adquirir conhecimentos, sistematizar.

7) NECESSIDADES ESTÉTICAS- Atração pelo belo. O desejo estético é a mais complexa e subjetiva necessidade humana.

        Como vimos, todas são necessidades importantes para o bem-estar psíquico do ser humano. Cabe a cada um satisfazer tais necessidades, e aos humanistas comprometerem-se não apenas com a sua própria necessidade, mas tornar o humanismo um hábito de fazermo-nos mutuamente satisfeitos e felizes.
                                                                                                                                    
    Juci Barros.

Referência bibliográfica: SISTO, Fermino Fernandes; OLIVEIRA, Gislene de Campos; FINI, Lucila Dihel Tolaine. (org). Leituras de Psicologia para Formação de Professores. Petrópoles, RJ. Editora Vozes, 2004.

domingo, 21 de março de 2010


        Nós, os  educadores envolvidos com o saber cultural acreditamos na importância da dinâmica social para a formação dos jovens e crianças; o indivíduo detentor de um saber cultural está fortemnete vinculado a grupos sociais, e mesmo os que adotam uma postura anti-social acabam formadores de outras novas culturas, a própria tentativa de negação reforça o critério de verdade do princípio negado. Em conversa com outros amigos que convivem com o ofício de educador direta ou indiretamente comprovei  a necessidade atual que a maioria dos professores desejam em se fazer respeitar pelos seus alunos, é como se os educandos não envolvessem suas emoções no processo de aprendizagem e vão às aulas por pura obrigação, basta-lhes cumprir o horário estipulado onde o aprender não é a prioriade.
Nos cursos de educação para alunos de licenciaruras em nossas universidade já estamos fadados de ouvir e concordar sobre teorias que priorizam o reforço positivo, o estímulo e elogios como meios para disciplinar os alunos. Ora, não sou contra o rótulo a muito dado aos professores de facilitadores no processo ensino-aprendizagem. Porém, o que não devemos esquecer é que dentro da sala de aula o mestre (como respeitosamente os alunos dirigiam-se aos professores) exerce um comportamento diretivo que sem dúvida assegura a transmissão de conhecimento. O diálogo é muito importante, e o professor deve aprender sobre cada aluno e se intressar por eles para melhor medir e direcionar o aproveitamento das aulas, mas é o professor que tem um objetivo ao fim de cada etapa da educação, e para tanto a autoridade do professor é indispensável. Comparo a relação médico-paciente; o primeiro ouve as queixas do segundo e a partir de um conhecimento adquirido e autorizado direciona o problema à solução. Antes mesmo do diagnóstico saimos da consulta com uma leve sensação de alívio devido a confiança depositada no profissional, salvo os casos em que o médico não transmite ao paciente autoridade suficiente no exercício de sua função.
        Disciplinar não pode nem deve estar associado a antiga prática das palmatórias ou do ajoelhar sobre o milho no canto da sala, contudo a fala do professor deve ser firme e segura, de modo que nos diálogos o aluno acredite estar diante de alguém que o direcione a um saber justificado, ou seja, podemos disciplinar nossos alunos desenvolvendo neles de forma compreensiva, mas com atitudes seguras a capacidade da autodisciplina.
        O respeito não é adquirido através da coerção, ela só gera temor e felizmente não é o que os verdadeiro educadores aspiram. Respeito é fruto de um trabalho gradualmente reconhecido, portanto, preparem suas aulas, ouçam seus alunos, tenham real interesse e participação nas reuniões de pais e acredite de fato que você tem o potencial de descobrir e contribuir tantos outros potenciais que esperam a sua "voz de comando" para transformarem positivamente suas comunidades, seu país e o mundo.