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quinta-feira, 3 de março de 2011

Mutuamente anjos

O meu anjo não sabe que é meu anjo da guarda, ele só sabe que me guarda. O meu anjo é tão inocente que acha que precisa de mim para voar, como se eu tivesse asas. 
Um dia enquanto voávamos ele olhou para baixo e temeu me deixar cair, por um segundo ele quase descobre que é ele quem me convida a voar.
Quando eu olho dentro dos olhos do anjo vejo que nada me acontecerá, e vejo também que ele teme um dia eu não querer mais sua companhia.
Ele só sabe que me guarda, meu anjo da guarda não sabe que eu guardo o que é meu.

sábado, 10 de julho de 2010

Hoje vou escrever sobre você

Foi a frase do Marquinho outro dia no MSN, dentre tantas outras de tamanha importância para mim. Aquele dia ele acabou não escrevendo, mas hoje eu sinto muita vontade de escrever sobre tão querido amigo, que talvez por uma falha minha não saiba o quanto o seja.
Marquinho foi um dos meus primeiros contatos feito no "mundo virtual", portanto, fazem cerca de seis anos_é o tempo que comecei a me interessar pelo teclado de um computador_ Ainda lembro o nick do Marcos, (apesar de não fazer idéia alguma do meu, acreditem, não sou muito simpática a idéia de amizades que surgem na internet, mas tenho algumas das boas que assim iniciaram, dá pra contar nos dedos de uma mão, mas ainda me fazem repensar, e Marquinho é uma delas) a princípio o chamava de Ian. Eu iniciava o começo da minha jornada universitária, e ele trabalhava em uma rede de supermercados, repositor eu acho, e muito sedento de conhecimento. Me encantei pelo interesse daquele garoto que fazia as próprias oportunidades, e se um dia eu esboçava algo sobre um pensador, em dois ou três dias o Marcos trazia suas principais idéias, pois comprava uma obra indicada e esmiuçava cada frase, e com uma humildade maravilhosa me trazia questionamentos que nos levavam a entrar madrugada adentro filosofando. Logo me apresentou textos de sua autoria. Mas nossas conversas eram muito ricas, tratávamos de música; rock progressivo, o nacional, a mpb e até nossas bandas regionais que surgem de tempos em tempos. Nem sempre concordávamos, mas havia um respeito mútuo que permeava as nossas conversas.
Eu não fazia idéia alguma sobre a aparência do Marcos, e inexplicavelmente não sentia muita curiosidade, aquele amigo me bastava assim como estava... mas, apesar de já ter-me visto em fotografias, ou talvez por isso mesmo, o meu amigo sugeriu que nos víssimos, e eu; bem, eu me recusei. Mas tanto o Marcos quanto eu estávamos mergulhados em uma amizade que nos fazia comentar com outras pessoas sobre alguém tão... tão interessante. E, logo surgiram interessados em serem amigos dos nossos amigos. Assim de um modo incorreto diga-se de passagem uma "amiga" pegou o contato do Marcos e iniciou o que ela pretendia uma amizade com o MEU amigo, e ao marcar para conhecê-lo prometeu levar-me.  Assim me pegou subitamente com a notícia, e um tanto contrariada lá fui eu. Sem nenhuma referência eu sabia quem era o Marquinho, e ele me reconheceu, a mim e a outra garota. Ela não tinha os nossos gostos e acabou sendo um detalhe para a efetivação da nossa amizade, aos poucos deixaram de se falar, de modo que o contato deles se resumia a ocasiões onde nos encontrávamos por acaso ou em ocasiões as quais eu reunia meus amigos.
Com o tempo conheci a história de vida emocionante daquele garoto e só o admirei ainda mais. E ainda que cheia de reservas, me permiti descansar e chorar no ombro amigo do Marquinho, que soube de coisas que nem imaginei contar a amigos de longa data. Marquinho é daquelas pessoas que dizem; Eu te amo! Ou ainda; Você é muito especial em minha vida. E agora com alguma frequência: Sinto saudades...
O Marquinho foi para outro estado em outra atitude de coragem que me surpreendeu. Graças ao velho MSN mantemos contato. Tenho muito orgulho do meu primeiro melhor aluno, agora autor de livros. Falamos menos que em outros tempos, mas com o mesmo interesse, sobre as novidades, mas principalmente sobre o que não tem nada de novo dentro de nós. Eu não sou muito o tipo de pessoa que se declara todo o tempo, e portanto, como já coloquei, meu amigo não saiba o quanto o amo, o admiro e tenho uma saudade enorme dele. É uma falta que aos poucos tento consertar com ele e outras pessoas maravilhosas que por acaso cruzaram o meu caminho, mas que só com muita determinação permanecem, e hoje nem sei pensar um caminho sem eles.

domingo, 4 de julho de 2010

O que é estar nas nuvens...

O seu rosto assim tão de perto me trouxe uma paz de fazer medo;
Enquanto falava comigo me perguntei como estive tanto tempo alheia ao fascínio que então você me exerce...
Cada vez mais acredito que te guardei, como se faz com os tesouros os quais o maior valor é a certeza de tê-los.
Agora quero gastá-lo, mas para te ver render, multiplicar, e também se render a mim para que cada vez mais me ganhe e me leve contigo.
Tanta vontade de "dividí-lo" com os meus...
Abandonei completamente o antigo que talvez ainda me caísse bem. E agora o medo, a insegurança de não saber o que tenho, ou de não saber merecê-lo. Mas tenho certeza: faria tudo novamente.
Você ainda não sabe, mas está me recuperando. Sinto tanta pureza em querer. Não te esforçes tanto além de suas mãos acariciando minha nuca ou me oferecer o ombro para encostar minha cabeça enquanto falamos sobre a lua e contamos estrelas... mas quando você encosta o ouvido em meu peito enquanto te abraço temo que percebas um coração que bate a ponto de quase explodir... e talvez seja por ouví-lo que encosta suas mãos nas minhas entrelaçando nossos dedos...
Sobre você tenho conversado com Deus aproveito; já que tens me levado tantas vezes ao céu. Pergunto a Ele se você é meu anjo, mas Deus apenas me responde com outra pergunta: Se ao teu lado me sinto protegida.
Respondo que sim. Mas confesso que em sua ausência fico ansiosa, e entre a ansiedade e a paz me confundo. Então resolvo apenas pedir que Deus nos abençôe.
Sobre as nossas brincadeiras; são o que tenho de mais sério no momento; minha felicidade real.
Ao lembrar da expressão de encantamento em você ao me reconhecer me sinto boba porque eu não me dei conta do que estava acontecendo.
Tantas foram as suas investidas e as minhas risadas como resposta; mas acredite, me convenceu que te preciso e há muita seriedade no sorriso do meu olhar.
Você fez pouco da minha "bagunça" e entrou como que entra em um palácio, me trouxe sonho, e em ti descanso... Você é divino porque me faz pensar em eternidade e o único fim que aceito pra tudo isso é o clássico: "felizes para sempre."
Tudo que preciso saber a seu respeito é quem sou para você.
A sensação de uma entrega parcial a cada encontro é só o desejo de um "até breve". Te espero tanto... e te espero ainda  mais a medida que te tenho. Ao mesmo tempo que com você descobri o que é ser tudo, também descobri o vazio. Sinto que a cada despedida você me leva, e a minha timidez me impede de te pedir que em troca você fique. Sou alguém que não apenas te quer, mas precisa do seu consentimento para te querer.
Se você me liga; eu existo! Se você não me liga? Eu não desisto! E de qualquer maneira me faz viver! Só posso ser grata.
Se eu pudesse passear no tempo escolheria os teus dias, para ver se me surpreenderia em alguma esquina.
Em meus dias te classificaria como o meu agora, te reafirmando a cada segundo, mesmo nos quais estou só, porque mesmo só não sei mais estar... em inspiração se faz presente e ao revivê-lo estou sempre em sua companhia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A FORÇA DO ACASO


Era uma vez uma ....menina perdida. Solitária, escondida. Cheia de dúvidas e cicatrizes. No semblante uma máscara que esconde a passagem de sua alma. Absorta, esquiva, a bisbilhotar no escuro em que se esconde. Cheia de sonhos, mas muito insegura! Se esconde no escuro, se esconde da vida! Foge de si mesma. Mas não desiste, insiste e procura por si mesma!Ora, como estava já escrito na sua vida (embora não o soubesse ainda), naquela manhã, em que as sombras dominavam devido à insistência das nuvens em tapar o sol, a menina foi puxada para fora de casa.
Não sabia que mão invisível a impelia a sair, em busca do mundo lá fora, mas ouvia nitidamente uma voz que chamava: _Laura. Laura._O seu nome ecoava nas ruas, na sua cabeça, mas ao olhar em volta, nada via.
_ Pela força do acaso, por aqui passei. E entrei, gostei e encantei…O mundo lá fora, pelas cortinas espreitei... Pela certa voltarei, e café tomarei. Adoro cantinhos encantados, adorei…É longe…eu sei…Mas voltarei!
Mas Laura no entanto, não desistiu. Ouvia o seu nome numa voz suave, mas cada vez mais alto, a ser chamado. E aí, reuniu todas as suas forças como num reluzente cristal. Lutou ferozmente contra aquela mão que a tentava puxar, puxar, puxar...
Solitária, a guerreira caminha ao acaso. Desviando dos obstáculos, não sente mais os calafrios do abdome, apenas caminha rumo ao chamado.
E de repente num feixe de luz vê a figura de sua mãe, com as mãos estendidas, olhar carinhoso, sem dizer uma palavra, lhe passa uma mensagem de confiaça em si mesma, pois jamais está sozinha e deve caminhar fixando um ponto no horizonte e por fim sua mãe desaparece no infinito.
Laura em silêncio se perguntava se não era um sonho... tinha medo de falar e descobrir ser tudo real. Nunca vira a mãe antes, que morreu assim que a pôs no mundo, mas intimamente sabia que era sua mãezinha.Olhando para a porta que deixara aberta Laura não sabe se deve voltar para casa ou caminhar sem rumo. Mas, feito um bichinho escorraçado pelas lembranças que havia deixado para trás, seguiu as ruas. Ainda estava atônita, sem destino... morta de fome. Andou muito. Até o anoitecer. E exausta, adormeceu enroladinha num canto qualquer, de uma praça qualquer: estava,definitivamente, perdida.
A noite fria se foi, o sol começa a aparecer por entre nuvens e com ele surge um homem bem vestido com maleta na mão, ao ver aquela moça deitada no chão, lhe cutuca dizendo:
_ Não tenhas medo. _ E pergunta: _O que uma moça tão bonita faz deitada numa praça?
Laura esfrega os olhos e tem a certeza de conhecer aquele homem. Muito simpático ele se dirige à uma padaria em frente e compra pão e leite para a menina. Faminta Laura come sem pensar em modos, enquanto o cavalheiro a observa. (Ela se da conta da fome que estava e se constrange quando percebe que ele estava observando-a).
Mas ele continua:
_ Alimenta o corpo, e deixa-me cuidar da tua alma." entregou-lhe umas asas brancas, "- Voa comigo, vou levar-te a conhecer o mundo dos sonhos. _ Deu-lhe a mão e no chão ficaram apenas as migalhas de uma vida...
Primeiro, Laura, ficou surpreendida com o facto de o homem não precisar de asas para voar. Mas lembrou-se que talvez só ela precisasse delas.Voaram por tempos infinitos, sem nada ver. Só nuvens. Um tapete infindável de nuvens, que parecia descrever um qualquer trajecto que deveria ser seguido.Chegaram, por fim, a um lugar diferente. As nuvens foram substituídas por raios de sol coloridos: o arco-íris.

Pousaram em cima do arco-íris, foi quando o homem fez a Laura a seguinte pergunta: - Você prefere continuar sua vida podendo voar, e melhor, voar sem asas, ou voltar a sua vida de antes?
Laura, cheia de felicidade, porque nunca tinha estado ao pé de um arco-iris, perguntou se podia agarrar uma cor.O homem aproximou-se, pegou em cada raio de Luz...e colocou na mão de Laura, um a um formando feixes à volta dela...e quando ia agradecer...eis que o homem desaparece...dando lugar a uma senhora com cara de anjo, que lhe disse:

_Laura, não tenhas medo...
E ela, instantaneamente soube que era sua mãe, pois não tinha esquecido sua voz suave e doce desde o seu ventre...E sua mãe continuou ...
_ Laura, não tenhas medo... Estou ao teu lado... carrega-me no seu ventre agora... tenha força, não se sinta só, preciso sentí-la novamente ao meu lado... preciso de teu amor... não me negue essa oportunidade... volte para sua casa, volte para sua fortaleza.
_Mas... mãe? Onde estou? Porque você está aqui? Senti tanto sua falta. Perdi-me durante longos anos de minha vida, sem rumo, sem prumo. Escondi meu sentimentos e aflições. Escondi-me da vida. E agora te vejo, como um sonho maravilhoso de meus mais secretos desejos.
_Laura... Você está viva, e eu sempre estive com você ainda que só agora me veja. Dói-me demais ver-te presa em dias tristes da sua infância trancada em seu quarto, possuindo asas tão lindas e já mulher, ainda que não perceba-se assim. Quero que faça do nosso sonho o despertar para uma nova vida. Uma vida cheia de cores ao lado daquele que te faz voar. Façam da nossa velha casa um lar cheio de risos e cheirinho de café. Um dia querida, se lembrará da nossa conversa e perceberá que toda dor e saudade deu lugar a uma doce lembrança...
Passaram-se alguns anos desde o dia em que Laura sem entender acordou no balcão da  padaria que ficava na praça que frenquentava todas as manhãs. Foi nesse mesmo dia que conheçeu o Gabriel, agora seu esposo.


Hoje Laura acordou feliz, ontem confirmou que tem no ventre uma menininha a quem dará o nome Íris em homenagem a sua mãe.
                                                                                                                             Ficha Técnica:
Autores: Afonso Rocha
     A Magia da Noite
Ana Carolina
D.R.
FÊNIX CRUZ
Josephine
Juci Barros
*lua*
Paulo
Psiquismo Desmistificado
Sônia Silvino
up
Vitor
Edição de imagens e texto: Juci Barros
Apoio: O compromisso de todos.
Direção: O acaso.

sábado, 15 de maio de 2010

Ecos

Não. Não é tristeza, só vontade. Vontade de matar vontades para dar lugar a outras. Tenho natureza questionadora. Penumbras me fascinam, mas... como dispensar a claridade do sol que invade o quarto pela manhã? E o como poderia a beleza da luz de velas sem a escuridão?
Sou rasa porque exponho muito da minha profundidade. É tão maluco quanto humano. Quantos não reconheçem as mesmas inquietações?
Eu só quero o que há em comum nas nossas diferenças.


Quero cuidar de almas inquietas fazendo os gritos da minha ecoarem...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Prefiro asas a armas. A nudez impõe mais que armaduras. Uma flor guardada na lembrança é mais nobre que medalhas na parede.
Determinei-me anjo. Quero despir-me dos preconceitos, quero subir suavemente para proteger os que me são caros, quero movimentos e gestos ternos e delicados.
Há os que acreditam que alguém assim tão pacífico seja acomodado. Não entendem de determinação de SER.
Anjos conquistam, não tomam a força.
Eu não desisti, pelo contrário, decidi; o melhor que posso ter é o que sinceramente me cedem.
Eu tenho me perdido todas as vezes que direciono meus pensamentos para o EU, porque eles sempre me levam ao NÓS.

                                                                                        Obs: A trilha sonora para o sentimento descrito é a que tocando ao fundo da página, interpretada pela Paula Fernandes:
Só penso em nós.

sábado, 10 de abril de 2010

Não é só chuva que vem do céu

       
         Ela ainda não entendia aquele sentimento que a tomava, mas gostava do que sentia. Os dias de chuva sempre eram os melhores, o frio a deixava mais intimista. Em contato consigo mesma sentia muito... sentia demais. A diferença ficava mais evidente, e olhava as outras pessoas como se fossem de uma outra natureza. Sim, ela era do mesmo mundo, mas a única que conseguia passear em lugares que ninguém conhecia. Tudo a tornava especial, e só. Não chorava, chovia. Do mesmo jeito que as gotas de chuva lavavam a rua, as lágrimas purificavam sua alma. Depois da chuva o sol virá, assim como depois do choro a luz.
        As poucas pessoas que passavam com seus guarda-chuvas não a viam, estavam todos muito preocupados em chegar aos seus destinos. Ela não tinha pressa, seu olhar se perdia em meio a beleza de água tão cristalina. Não lembrava onde estivera antes dalí, e muito menos importava o que faria depois. Estava observando tudo em um lugar coberto, mas não se protegia dos respingos que te alcançavam, até gostava, e não fosse as poucas pessoas que alí passavam banhar-se-ia na chuva. Mas estava nua, era sempre assim quando chovia, não importa onde estivesse. Nua, frágil, sensível. Mas embora tremesse com a umidade, algo por dentro aquecia e logo esquecia sua nudez.

        Ela sequer notava sabia o que mudava, só sentia. Alguém se aproximava, não via, só ouvia a respiração. Era tão bom sentir, não queria acordar. Seu corpo sentia cada pensamento, cada intenção, porque era assim que o tal alguém a tocava. Anjos que se completam, anjos que não conhecem distâncias, anjos que só conhecem o melhor da humanidade e entregam-se. Sentem muito, sentem demais. O único erro seria negar suas condições de anjos. Tudo continuava igual, o cenário era o mesmo, o encontro acontecia do outro lado, do lado de dentro dela. Tudo estava certo e em paz. Agora a certeza que o sol chegará conforta porque sentiu muito, sentiu demais. Caminhará em direção ao seu destino, ou até voará se quiser. Já sabe quem irá guardar, aceita o que sente e o seu destino é divino. Não cabe a anjos julgar, por isso sente, sente demais e assim guardará alguém por quem nutre o mais nobre dos sentimentos: o amor. Um amor que não se fala, um amor que não se prova, um amor que só se sente, sente demais...